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Transporte cresce após queda no primeiro tri

Alta do transporte aéreo e da armazenagem impulsiona setor, que segue quase 20% acima do nível pré-pandemia

O setor de transportes voltou a registrar crescimento em abril, interrompendo a retração observada no mês anterior. De acordo com análise da Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, a atividade avançou 0,9% em abril, após recuo de 1,6% em março, impulsionada principalmente pelo desempenho do transporte aéreo e dos serviços de armazenagem e atividades auxiliares.

Apesar das oscilações mensais, o nível de atividade do setor permanece significativamente acima do período anterior à pandemia. Segundo a CNT, o volume de serviços de transporte está 19,2% superior ao registrado em fevereiro de 2020. No segmento de cargas, o avanço acumulado chega a 35,8%, enquanto o transporte de passageiros opera 4,7% acima do patamar pré-crise sanitária.

Armazenagem sustenta recuperação
O resultado positivo de abril reforça a resiliência do setor, em especial das atividades ligadas à logística e à movimentação de mercadorias. O desempenho ocorre em um cenário de crescimento das exportações brasileiras e de expansão da demanda por serviços integrados de armazenagem e distribuição.

Embora o setor tenha mostrado recuperação na PMS, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) indicam um ambiente ainda desafiador. No primeiro trimestre de 2026, o segmento de transporte, armazenagem e correio registrou retração de 0,7% na comparação com os três meses anteriores. Na comparação anual, entretanto, houve crescimento de 0,7%.

A economia brasileira como um todo avançou 1,1% no primeiro trimestre frente ao trimestre anterior, alcançando R$ 3,25 trilhões. Na comparação com igual período de 2025, a expansão foi de 1,8%, sustentada principalmente pelo consumo das famílias e pelo crescimento de 7,4% das exportações.

Combustíveis aliviam pressão sobre custos
Outro fator acompanhado de perto pelas transportadoras é o comportamento dos custos operacionais. Em maio, o grupo Transportes registrou deflação de 0,46%, influenciada principalmente pela queda dos preços dos combustíveis.

O óleo diesel, principal insumo do transporte rodoviário de cargas, recuou 2,34% no mês, após sucessivas altas no início do ano. Ainda assim, o combustível acumula elevação de 14,51% nos últimos 12 meses, mantendo pressão sobre as margens das empresas.

A CNT destaca ainda que a produção nacional de petróleo atingiu recorde em março, com 131,7 milhões de barris produzidos, alta de 17% na comparação anual. O aumento da oferta doméstica é visto como um fator relevante para reduzir a volatilidade dos preços dos combustíveis no médio prazo.

Selic menor pode estimular renovação de frota
No campo monetário, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu, em 17 de junho, a taxa Selic para 14,25% ao ano, no terceiro corte consecutivo dos juros básicos. Para Fernanda Schwantes, gerente de Economia da CNT, a trajetória de queda dos juros pode favorecer os investimentos do setor.

“Para o setor transportador, o corte gradual da taxa Selic tende a favorecer o acesso ao crédito e reduzir os custos financeiros relacionados ao capital de giro e aos investimentos em renovação e ampliação de frota. No entanto, reduções nas próximas reuniões do Copom dependerão do comportamento da inflação”, afirmou.

Apesar do alívio monetário, a inflação acumulada em 12 meses alcançou 4,72% em maio, voltando a superar o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, o que mantém cautela sobre o ritmo dos próximos cortes de juros.

Fonte: Agência Transporte Moderno

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