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Tecnologia e logística são áreas promissoras em 2021

Após um ano marcado por dificuldades, a perspectiva de atenuação da pandemia através de uma vacina tem gerado expectativas positivas para o mercado de trabalho em 2021. Especialistas prevêem a recuperação de vários setores, consideram a tecnologia como a “bola da vez” e dão destaque também a carreiras voltadas às áreas de logística, saúde, agronegócio e infraestrutura.

Em 2020, o mercado de trabalho foi bastante impactado. No segundo trimestre do ano, a taxa de desemprego subiu para 13,8% – atingindo a maior porcentagem desde 2012. Diante da pandemia, 13 milhões de brasileiros ficaram desempregados, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora 2021 ainda seja incerto, a previsão é de que os números muito desfavoráveis de 2020 não irão se repetir. O diretor-geral da Robert Half Brasil, empresa de consultoria de recursos humanos, Fernando Mantovani, analisa o próximo ano com bons olhos. “Há sinais positivos de que haverá a recuperação da confiança dos profissionais qualificados e a expectativa é a de ampliação desse cenário no próximo ano”, afirma.

Porém, não há grandes perspectivas de aumentos salariais. “Como 2021 pode ser considerado um ano de reestabilização, a tendência é de que as remunerações se mantenham próximas às aplicadas neste ano”, explica Fernando.

Uma grande tendência é a valorização das “soft skills”. O termo em inglês é usado para definir as habilidades comportamentais, mais subjetivas, como resiliência, atitude de engajamento, adaptabilidade e capacidade de lidar com um ambiente diverso. “O mercado hoje tem buscado muito mais essas habilidades. Elas são difíceis de medir, impossíveis de serem treinadas, mas muito necessárias”, define Wladimir Martins, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos na Bahia (ABRH-BA).

Chances constantes

Existem alguns setores em que, independente do cenário, as oportunidades são constantes. Atualmente, a “menina dos olhos” do mercado é a indústria da tecnologia. A área já vem em crescimento constante há certo tempo e com a pandemia, que proporcionou uma aceleração da transformação digital, ela ganha ainda mais destaque. “A gente vive num mundo totalmente tecnológico. Cada vez mais não dá para sobreviver sem a tecnologia. Então, independente de crise, dificilmente há dificuldades na área. Os profissionais têm muita oportunidade”, afirma o presidente da ABRH-BA.

A área de segurança da informação está entre as carreiras em evidência em tecnologia. O profissional que trabalha com isso cuida da proteção da informação, geralmente de empresas ou órgãos de governo, prevenindo fraudes, vazamentos e ataques. O setor não é recente, há profissionais atuando nele desde a década de 90, mas a sua importância tem aumentado bastante nos últimos anos com a crescente hiperconexão. À medida que surgem mais possibilidades de interconectividade, como a chegada do 5G, aumentam as preocupações com a segurança digital.

João Gualberto Araújo é fundador da XSite, empresa especialista na área há 15 anos. Ele destaca que quem se interessa pela carreira precisa ter em mente que é necessário estudar e se aprofundar bastante. “Os ataques, quando acontecem, são muito sofisticados. É preciso se preparar muito”, explica. O retorno financeiro é alto e as oportunidades no mercado são grandes. “É difícil dizer quando vai haver uma inflexão. Acho que nos próximos 20 anos vai ser uma área de destaque”, analisa o profissional.

O desenvolvimento de software também tem notoriedade na área da tecnologia. É mais um dos mercados superaquecidos do setor, em que há muito mais busca pelo serviço do que profissionais disponíveis. Chamados por vezes de programadores, engenheiros de software ou DEVs, quem trabalha no ramo têm a função de resolver problemas através de tecnologia, criando aplicações, como sites ou aplicativos, para dispositivos computacionais.

José Messias Junior, fundador da Cubos Tecnologia e CEO do programa de cursos associado à empresa, a Cubos Academy, observa que muitos estereótipos ainda rondam a profissão. “Tem gente que acha que o programador fica no cantinho isolado com um computador. Muito pelo contrário, tem que falar muito e bem para entender de outras pessoas que não sabem de tecnologia qual o problema que o software vai resolver”, explica. Ele afirma também que para fazer carreira na área não é preciso ter um perfil “nerd” ou ser jovem.

O desenvolvedor destaca que a área pode ser especialmente interessante para formados em engenharia. “A forma de pensar é muito parecida. Os engenheiros que desejam mudar de carreira, com a área da engenharia em crise, podem se dar bem desenvolvendo software”, diz.

Perfil de consumo

As mudanças de consumo durante o isolamento forçaram as empresas a se inovarem. Com a adaptação ao e-commerce, que se popularizou e se manterá como opção principal para vários consumidores, o setor de logística recebe grande destaque. Assim como a tecnologia, essa também é uma das indústrias que estarão em alta em 2021 de acordo com o Guia Salarial Robert Half.

Além dos dois setores, a pesquisa também realça a área da saúde, que trabalhou sem descanso durante 2020 e tem uma alta perspectiva de trabalho para o próximo ano. O agronegócio, carro-chefe do PIB nacional, vai se manter grande e com demandas de novas formas de cultivo associadas à tecnologia.

A pesquisa ainda inclui o setor de infraestrutura. Há a expectativa de mais investimentos na construção civil em 2021, setor impulsionador para retomada econômica.

 

Fonte: A Tarde

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