Agentes do mercado financeiro estimam que a inflação brasileira neste ano será de 5,04% de acordo com o Relatório Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (25). O índice é maior do que o teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%, o que pressiona a autoridade monetária a segurar o ciclo de cortes da taxa básica de juros.
O boletim semanal apurado com bancos e corretoras do mercado financeiro aponta a 11ª alta seguida da inflação (era de 4,92% na semana passada), pressionada principalmente pelo aumento dos combustíveis por causa da guerra no Oriente Médio, que acaba influenciando diretamente em todos os outros setores da economia que dependem, por exemplo, do transporte de mercadorias.
Com isso, o aumento da inflação pode segurar a redução da Selic, que é a taxa que baliza as demais tarifas adotadas pelo mercado, limitando o crédito à população e tornando as operações ainda mais caras. Atualmente, a Selic está em 14,5%, mas já há uma previsão de que termine o ano em 13,25%, contra 13% previstos há duas semanas.
Tanto o governo federal como o mercado financeiro contavam com o Banco Central para baixar a taxa de juros e reforçar o crescimento da economia, além de reduzir o endividamento das famílias. Desde o ano passado, principalmente, o setor produtivo e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vêm pressionando a autoridade monetária para reduzir a Selic – no caso do petista, numa intensidade mais branda se comparada à gestão do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto.
A Selic é a principal ferramenta usada pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando está alta, a autoridade monetária eleva os juros para esfriar a economia; quando desacelera, há pressão para cortar a taxa e estimular a atividade econômica.
Atualmente, entidades empresariais frequentemente argumentam que juros elevados por muito tempo travam a produção e diminuem a competitividade do país. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, está marcada para os dias 16 e 17 de junho.
O principal argumento econômico do setor produtivo é que juros altos aumentam o custo do dinheiro. Isso afeta desde grandes empréstimos empresariais até o financiamento ao consumidor.
Quando o crédito fica caro, empresas adiam investimentos em máquinas, expansão e contratação de funcionários, enquanto consumidores reduzem compras parceladas, principalmente de imóveis, carros e bens duráveis.
Por outro lado, apesar do aumento da inflação, os economistas ouvidos pelo Banco Central estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) também crescerá neste ano, alcançando 1,89%. Ainda assim é abaixo do registrado nos três anos anteriores deste mandato de Lula, com crescimento de 2,9% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.
O Relatório Focus desta semana aponta, ainda, que o câmbio do dólar chegará a uma média de R$ 5,17 ao final do ano. Nesta segunda-feira (25), a moeda norte-americana está cotada em R$ 4,99.
Fonte: Gazeta do Povo