Notícias

Descarbonização no transporte exige governança para sair do papel

A descarbonização no transporte ganhou espaço na estratégia das empresas do setor, impulsionada por exigências de mercado, compromissos ambientais e pela busca por operações mais eficientes. No Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), porém, transformar metas em resultados depende de decisões estruturadas sobre investimentos, riscos e viabilidade operacional.

Dados da Amcham (Câmara Americana de Comércio do Brasil) e do Pacto Global da ONU apontam que, no Brasil, 76% das empresas já incorporaram a sustentabilidade às suas estratégias e 71% afirmam aplicar práticas ESG no dia a dia. Ainda assim, no TRC, a passagem do discurso para a prática exige conectar metas, tecnologia, segurança e resultados.

Governança vira eixo para decisões ambientais no TRC
Nesse cenário, a governança assume papel central. Renovação de frota, adoção de combustíveis de menor emissão e investimentos em infraestrutura envolvem recursos, riscos, responsabilidades e impactos diretos na operação.

Para Joyce Bessa, diretora de ESG e Relações Institucionais da TransJordano, a governança transforma intenção em execução. “Uma empresa pode ter metas ambientais ambiciosas ou querer investir em inovação, mas é preciso definir prioridades, avaliar riscos, entender os recursos necessários, estabelecer responsabilidades e acompanhar se aquela iniciativa está produzindo o resultado esperado”, afirma.

Segundo a executiva, essa necessidade aumentou à medida que o setor ficou mais complexo e temas como tecnologia, sustentabilidade, compliance, segurança e gestão de riscos passaram a integrar as decisões estratégicas. Por isso, indicadores e metas ajudam a dar continuidade às iniciativas e a medir os resultados.

A TransJordano, por exemplo, realiza a mensuração contínua das emissões de gases de efeito estufa, reúne indicadores ambientais, sociais e de governança em seu Relatório ESG e mantém certificações como ISO 39001, ISO 9001 e SASSMAQ. “Os indicadores ajudam a entender se estamos avançando, onde precisamos corrigir a rota e quais ações estão gerando impacto. Medir também é uma forma de amadurecer, porque permite sair da percepção e tomar decisões com mais informação”, explica Joyce.

Corredor Verde da TransJordano avança para a operação
A governança também acompanha a profissionalização das empresas. Com investimentos maiores, novas exigências e mais áreas envolvidas nas decisões, responsabilidades antes concentradas em poucas lideranças passam a exigir processos definidos e acompanhamento. Na TransJordano, esse movimento se refletiu na criação de uma diretoria dedicada a ESG e Relações Institucionais, liderada por Joyce.

Um exemplo dessa relação entre governança e descarbonização está no Corredor Verde da TransJordano, que será oficialmente lançado no dia 7 de outubro. A iniciativa prevê uma operação estruturada com caminhões movidos a biometano, apoiada por infraestrutura de abastecimento e tecnologias voltadas à autonomia e à eficiência operacional.

Essa estrutura também poderá ser utilizada por veículos de outras transportadoras, ampliando o acesso ao combustível e contribuindo para criar condições mais favoráveis à adoção do biometano no TRC.

Embora o caminhão seja a face mais visível do projeto, sua implementação envolve decisões sobre financiamento, infraestrutura, tecnologia, segurança, parceiros, riscos e viabilidade operacional. “O caminhão a biometano é a parte que chega à estrada, mas existe uma quantidade enorme de decisões antes desse momento. É nesse processo que a governança cria as condições para que uma estratégia ambiental consiga avançar e permanecer sustentável no longo prazo”, finaliza Joyce.

Fonte: Mobilidade Sampa

Compartilhe: