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Consórcio de caminhão cresce e soma R$ 5,3 bilhões em créditos 2021

O consórcio volta a ganhar força como forma de financiamento para a compra do caminhão, sobretudo por causa das incertezas da economia

O consórcio vem se consolidando como importante opção de financiamento de caminhões novos. De janeiro a abril de 2021, as vendas de cotas de caminhões, ônibus, implementos rodoviários e tratores cresceram 53,5%. Assim, alcançaram R$ 8,03 bilhões em créditos. Portanto, como os caminhões representam 66% desse número, estamos falando de R$ 5,3 bilhões. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradores Consórcio.

Nesse sentido, o consórcio é uma boa opção por ter planos com prazos de 100 a 120 meses. Além disso, não há juros e a taxa de administração gira em torno de 0,12% ao mês. Da mesma forma, o comprador pode antecipar a quitação das parcelas. E pode receber o bem antes se for sorteado ou der o maior lance nas reuniões mensais do grupo de consórcio.

Crédito pode ser usado como lance

No mesmo sentido, o consorciado pode utilizar parte do crédito como lance. Dessa forma, é possível programar o prazo de entrega do bem desembolsando menos por isso. Outra vantagem é que não é preciso comprovar renda na hora da compra da cota.

Porém, para receber o bem por lance ou sorteio o consorciado não pode ter nenhuma restrição em órgãos como o Serasa.  Além disso, será preciso comprovar que tem capacidade financeira para continuar pagando as parcelas. Segundo o gerente comercial do Consórcio Iveco, Mauro Andrade.

O consórcio da Iveco é administrado pela Ademicon. A empresa atua há mais de 30 anos no setor. E opera no sistema white label. Ou seja, modalidade em que um produto ou serviço pode ser revendido por outras empresas ou pessoas físicas sem divulgação dos direitos autorais.

Ano positivo para o setor de consórcio

Seja como for, o presidente da ABAC, Paulo Roberto Rossi, evita arriscar projeções. Segundo ele, sobretudo por causa da pandemia e da ameaça de uma terceira onda de alta nas contaminações. De acordo com ele, porém, o setor de caminhões não será impactado.

Nesse sentido, colabora a expectativa de aumento ainda maior nos negócios do setor agrícola. Ou seja, estamos falando de um crescimento de 3,5% na safra em relação aos resultados de 2020. Portanto, a demanda por máquinas e caminhões vai crescer.

Para DAF, o consórcio aumenta a visibilidade

Segundo executivos da DAF, convencer a matriz, na Holanda, de que o consórcio é um bom negócio  não foi fácil. Porém, o resultado da semente plantada em 2016, com o lançamento desse produto, estão dando bons frutos.

Ou seja, há quatro grupos em andamento. Com prêmios como caminhões e viagens ao país de sua sede, a imagem da DAF se fortaleceu. Como resultado, neste ano serão lançados dois grupos.

Segundo a empresa, em 2020 as vendas de consórcios cresceram 15% na comparação com 2019. Ou seja, foram maiores que a média do mercado, que registrou 10% de alta no mesmo período.

Prêmios e incentivos

Diretor de vendas da DAF, Antenor Frasson (acima) diz que o desempenho do consórcio está em linha com o posicionamento da marca. Nesse sentido, vem crescendo acima do mercado.

“O consórcio é uma importante modalidade de vendas. Trata-se de uma ferramenta de aproximação e que traz credibilidade à DAF. Além de oferecer uma linha de crédito bastante vantajosa”, diz Frasson.

O produto da DAF é administrado pela Randon Consórcios. Em abril, foi lançada uma campanha que sorteará um caminhão CF entre os clientes que comprarem cotas até o dia 30 de setembro. Os 100 primeiros compradores poderão concorrer. Cada compra de créditos entre R$ 571 mil e R$ 625 mil vale um cupom.

Prêmios e incentivos

Segundo Frasson, ao receber o crédito a maioria dos clientes opta por retirar um caminhão da marca. Portanto, essa modalidade de negócio tem contribuído para o aumento das vendas da DAF no País.

Ou seja, apenas de janeiro a abril de 2021 a alta foi 50% superior ao total de créditos vendidos durante igual período de 2020. Como resultado, a DAF prevê crescer 40% neste ano em relação a 2020.

“O consórcio é uma ferramenta confiável, ainda mais em meio às incertezas na economia. O empresário precisa de caminhão e sabe que pode fazer o planejamento de médio a longo prazo”, diz Frasson.

Iveco desponta em vendas

A Iveco foi a marca de caminhões que mais cresceu no Brasil em 2020. Enquanto as vendas da italiana tiveram alta de 31%, o mercado recuou 11%. Boa parte desse resultado se deve ao consórcio. Segundo a fabricante, as vendas de créditos aumentaram 25% em 2020 ante 2019.

Nesse sentido, 70% dos negócios envolvem caminhões leves. Segundo o gerente comercial do consórcio Iveco, Mauro Andrade (foto abaixo). Ou seja, isso é resultado do bom momento para o comércio eletrônico.

“O consórcio atrai o cliente porque tem parcelas de longo prazo e taxas atrativas”, diz Andrade. Para impulsionar as vendas, a Iveco também aposta em premiações. Nesse sentido, sorteou uma viagem à África do Sul entre os consorciados. Em 2020, a marca vendeu R$ 200 milhões em créditos.

Novo sorteio de viagem internacional

Assim, o ganhador só vai curtir seu prêmio depois que a pandemia amainar. Seja como for, a Iveco lançou o sorteio de uma nova viagem internacional em 2021. Quem ganhar irá para a Alemanha em 2022, com direito a visita o Salão de Hannover. Ou seja, a maior feira de caminhões do mundo.

Segundo a empresa, o obtivo para 2021 é vender em torno de R$ 250 milhões em créditos. “Optamos por manter a promoção com viagem porque nossos clientes gostam. Muitas vezes, é só dessa maneira que ele consegue ter uma folga”, diz Andrade.

Com 16 grupos em andamento, a Iveco não descarta abrir outros em 2021. Mesmo porque, de janeiro a abril a marca registrou 75% de alta nas vendas. Nesse sentido, foram R$ 86 milhões em créditos, dos quais 32,5% (R$ 28 milhões) apenas em março. Ou seja, no mês de lançamento da promoção.

Consórcio Mercedes-Benz cresce 31,6%

Da mesma forma, as vendas do consórcio Mercedes-Benz em 2020 bateram recorde. Nesse sentido, como a marca vendeu R$ 550 milhões em cotas em 2019, previa vender R$ 630 milhões em 2020. Ou seja, uma alta de 15%.

Porém, foram vendidos R$ 724 milhões em créditos. Em outras palavras, houve alta de 31,6%. De acordo com o superintendente comercial do consórcio Mercedes-Benz, Cláudio de Jesus (abaixo), a curva de alta disparou a partir de junho.

Segundo ele, isso é resultado do bom desempenho do agronegócio, entre outros setores da economia. Além disso, Jesus diz que os concessionários apostaram fortemente no negócio. “O engajamento da rede colaborou com o bom resultado das operações.”

Compra programada

De acordo com o executivo, muitos empresários também passaram a antecipar a renovação de suas frotas. Nesse sentido, escolheram o consórcio pela possibilidade da aquisição programada.

“Muitos clientes disseram que, como não havia caminhão para entrega imediata, iriam direcionar os investimentos para o consórcio.” Segundo Jesus, boa parte dos compradores estava preocupada em deixar o dinheiro aplicado por causa das incertezas ocasionadas pela pandemia.

De modo geral, o setor está de consórcio continua em alta em 2021. Nesse sentido, março e abril são considerados os melhores da história do consórcio da Mercedes-Benz. A empresa lançou e modalidade em 2015. E, segundo a companhia, as vendas superaram R$ 100 milhões em créditos nos dois meses.

Compra programada

Porém, a Mercedes-Benz não revelou detalhes desse crescimento. Isso porque o consórcio da marca é administrado pela Rodobens que está abrindo o capital. Mas informou de janeiro a abril de 2021 a alta foi de cerca de 50% ante o mesmo período de 2020.

Seja como for, a empresa pretende vender R$ 1 bilhão em créditos em 2021. Segundo o vice-presidente de vendas e marketing caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, Roberto Leoncini.

“A tendência de crescimento é resultado de uma série de fatores”, diz Jesus. “O cliente entende que o consórcio é um meio seguro de aquisição de bem. Em como a falta de produtos para pronta entrega, muitos estão optando por fazer o planejamento usando o consórcio”, afirma.

Mercedes sorteará cinco caminhões

Em abril, a empresa lançou um plano de cotas de consórcio para o novo Actros e o Axor. Com 120 meses para pagar, são 360 cotas, com créditos de R$ 385 mil a R$ 756 mil.

Entre os destaques estão as prestações reduzidas até a contemplação. Ou seja, 30% nas cinco primeiras ou 50% nas três primeiras.  Além disso, dá para pagar o valor do lance em quatro vezes ou diluir 100% nas mensalidades.

Segundo a empresa, o Plano Pontual permite programar melhor a entrega. Assim, essa opção é para a linha Sprinter. Ou seja, dá para retirar o caminhão por meio de antecipação do pagamento de parcelas. Nesse caso, a programação varia entre o sexto e o 23º mês.

Consórcio Scania sofreu com a pandemia

Além disso, a partir da 24ª todos os cotistas têm a opção de retirar o veículo a qualquer momento. Ou seja, por meio de uma operação de crédito, sem antecipar o pagamento das parcelas.

Para a Scania, as vendas de consórcio foram bem em janeiro e fevereiro de 2020. Porém, em março os negócios foram fortemente impactados pela pandemia.

“O segmento de transportes foi um dos menos afetados. Mas no caso do consórcio, que uma tipo de operação voltada mais ao longo prazo, tivemos esse impacto”, diz o diretor-comercial do Consórcio Scania, Rodrigo Clemente.

Recuperação impressionante

Para reverter a situação, a Scania investiu nas vendas online. Assim, conseguiu recuperar parte dos negócios. Porém, registrou 15% de queda nas operações de consórcio em relação a 2019.

Aquele havia sido o melhor ano para a marca desde 2010, com R$ 1,4 bilhão em créditos vendidos. Logo, a retração em 2020 ocorreu com base em um ano acima da média.

Porém, nos primeiros quatro meses de 2021 a marca conquistou resultados impressionantes. Assim, as  vendas de consórcio cresceram 72% em relação a 2020. Ou seja, foram vendidos R$ 560 milhões em créditos. Como resultado, a Scania prevê fechar 2021 com alta de 25% no volume de negócios.

Segurança em meio às incertezas

Vale lembrar, que o resultado compara igual período de 2020, quando as vendas despencaram. Mesmo assim, Clemente afirma que as projeções são bastante realistas.

Segundo ele, a alta na taxa Selic e as incertezas na economia vão fortalecer o consórcio. De acordo com o executivo, sobretudo porque o consórcio é uma operação de longo prazo e que não tem juros.

“O cliente terá um dinheiro mais barato para renovar a frota. Muitos migrarem de investimentos que estavam sofrendo muita oscilação, como o mercado de ações, para o consórcio”, afirma.

Mais sete grupos em 2021

Segundo Clemente, o momento está muito favorável para o setor de consórcios. De acordo com ele, o índice de cancelamento e a inadimplência despencaram. Embora não cite números, o executivo afirma que isso reflete a maturidade do consumidor em relação à modalidade.

Seja como for, a Scania também aposta em promoções para ampliar as vendas de cotas de consórcio. Ou seja, está  sorteando quatro caminhões pesados e viagens. Assim como a Iveco, a empresa deve levar clientes ao Salão de Hannover de 2022.

De acordo com a marca, há 89 grupos em andamento. Além disso, apenas neste ano a empresa abriu três grupos. Da mesma forma, a Scania pretende abrir outros quatro até o fim de dezembro.

VWCO tem o melhor quadrimestre da história

As vendas de cotas de consórcio da  Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) e MAN cresceram 35% em 2020. O produto é administrado pela BRQualy Consórcio e vinha crescendo nos últimos anos.

Porém, nada como o visto de janeiro a abril de 2021. Em outras palavras, a alta nas vendas foi de impressionantes 80% ante o mesmo período de 2020. Ou seja, um recorde para as marcas. Como resultado, a empresa projeta crescer entre 30% e 35% em 2021.

Diretor da BRQualy, Humberto Mazzotti (abaixo) diz que isso se deve em parte ao amadurecimento do consumidor. “Todo mundo querer fugir dos juros altos, o que também contribui para essa alta”, afirma. Segundo ele, a menor burocracia na hora da compra também contribui para a alta.

Variedade de produtos

Nesse sentido, a BRQualy e os concessionários VWCO investem em ferramentas digitais. O objetivo é chegar cada vez mais próximo dos clientes. Mazzotti também destaca a ampla variedade de produtos da marca. Bem como as opções de cotas de consórcio específicas.

Segundo ele, isso contribui para as vendas. “A gente acompanha todo os lançamentos. Ou seja, toda vez que a VWCO apresenta um novo caminhão, lançamos um produto específico para ele”, diz.

Da mesma forma, a BRQualy tem dois planos que permitem acelerar a entrega. Um deles é o Express, focado na linha Delivery e, o outro é para o Meteor.

Assim, a partir da sexta parcela o cliente pode antecipar o pagamento. Ou seja, somando as primeiras 24 prestações. Dessa forma, ele tem o crédito liberado para comprar o caminhão.

Consórcio para o e-Delivery

Aliás, a administradora já prepara um consórcio para o e-Delivery. O caminhão elétrico será lançado no Brasil nos próximos meses.

O consórcio da VWCO foi criado em 2010 e tem 30 grupos em andamento. Segundo Mazzotti novos grupos devem ser abertos neste ano.

Além disso, a BRQualy promove viagens e ações, como palestras, para vender cotas. “Sempre apostamos nas viagens de relacionamento. Mas que tivessem ações envolvendo o caminhão”.

Volvo vendeu R$ 1,2 bilhão em créditos.

Neste ano, contudo, a empresa decidiu não criar nenhuma campanha do tipo. O motivo, obviamente, é a pandemia. Porém, assim que as coisas melhorarem é quase certa a retomada desse tipo de atividade.

O consórcio da Volvo, por sua vez, cresceu 17% em 2020. Isso significa que a marca somou R$ 1,2 bilhão em novos créditos vendidos. Ou seja, em 2019 o número tinha ficado em torno de R$ 1 bilhão.

Ou seja, a pandemia não impactou a boa performance dessa modalidade de negócio. Segundo o diretor comercial da Volvo Financial Service, Valter Viapiana.

Renovação da frota

De acordo com ele, de janeiro a abril de 2020 as vendas não foram muito bem. “Havia muita incerteza. Porém, a partir do segundo semestre voltamos a crescer. E em 2021 estamos mantendo a alta”, afirma.

Segundo o executivo, colabora com isso uma mudança no planejamento dos transportadores. Ou seja, os empresários estão pensando mais no longo prazo para trocar de caminhão. “As vendas à vista e as com financiamento se mantêm. No entanto, o consórcio acompanha o crescimento do mercado”, diz.

Ainda segundo Viapiana, havia um “represamento na renovação de frota”. Além disso, ela afirma que alguns setores estão se fortalecendo. Da mesma forma, a Volvo está oferecendo taxas mais baixas de modo a ampliar suas vendas.

Integração com concessionários

Assim como outras administradoras, a do consórcio Volvo pode ter parcelas reduzidas. Há planos em até 100 pagamentos. Ou seja, é possível pagar 0,65% do valor do caminhão por mês. A marca é outra que aposta no sorteio de caminhões para vender mais.

Nesse sentido, oferece um modelo da linha VM. Assim, todos os cotistas recebem cupons ao pagar as parcelas. Há ainda campanhas regionais, por meio dos concessionários, que vão de sorteios de veículos a promoções do pós-venda.

Segundo a Volvo, seu consórcio é o primeiro oferecido por uma fabricante. Lançado há 28 anos, teve mais de 60 mil cotas vendidas. Assim, soma 40 mil clientes contemplados e R$ 6,5 bilhões em cartas de crédito.

Novas administradoras de olho no setor

De acordo com a empresa, há 30 grupos em andamento. E também a expectativa de abertura de novos grupos até o fim deste ano. Contudo, a marca não revelou o número exato.

O bom momento vivido pelo setor de consórcios vem atraindo mais empresas. Como a Embracon, uma das maiores administradoras do Brasil. A companhia acaba de lançar opções de planos de consórcio de caminhões.

De acordo com a empresa, em 2020 suas vendas foram de R$ 5,9 bilhões em créditos em 2020. Logo, houve aumento de 17,8% em relação a 2019. De acordo com a Embracon, os destaques foram os segmentos de caminhões e máquinas agrícolas.

Segundo o vice-presidente de negócios da Embracon, Luís Toscano, não dava para ficar de fora. Ele diz que, mesmo com a pandemia, o agronegócio, por exemplo, permaneceu em alta. “Essa tendência nos incentivou a criar o consórcio de pesados”, afirma. O valor das cartas de crédito parte de R$ 100 mil.

Bancos independentes

No mesmo sentido, a Wiz Soluções passou a oferecer cotas de consórcio de veículos pesados do Itaú. Segundo a empresa, suas vendas representam cerca de 8% do mercado total de consórcios do Brasil.

Assim, a nova opção passou a ser oferecida no início deste ano. Nesse sentido, a Wiz fechou parceria com duas empresas do banco. Ou seja, a Itaú Administradora de Consórcios e a Itaú Unibanco Veículos Administradora de Consórcios.

Dessa forma, a empresa amplia o portfólio. Ou seja, passa a ter atuação dedicada na venda de cotas de consórcio de  tratores, vans, ônibus, micro-ônibus, caminhões e implementos rodoviários. O objetivo é vender 2,6 mil cartas de crédito por ano. Segundo o diretor-executivo da Wiz, Rodrigo Salim.

Fonte: Estradão

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