Plano Nacional de Logística 2050 foi um dos principais itens da pauta
Brasília (27/08/2026) – A Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) discutiu, na quinta (27), a construção do Plano Nacional de Logística (PNL 2050) e as prioridades para melhorar o escoamento da produção agropecuária.
Na abertura, o presidente da Comissão, Mário Borba, afirmou que a pauta é essencial para o país avançar nessas áreas. Ele citou a missão técnica realizada pela CNA na BR-319 para conhecer as condições da rodovia e os gargalos enfrentados pelo agro no transporte da produção. Segundo Borba, os dados coletados durante a viagem serão reunidos em um documento norteador, que poderá contribuir para futuras ações no setor.
Em relação ao PNL 2050, a subsecretária de Fomento e Planejamento do Ministério dos Transportes, Gabriela Monteiro Avelino, apresentou a metodologia utilizada na elaboração do documento que está sendo construído com a participação do poder público, do setor privado e da sociedade civil.
O plano busca orientar o planejamento de longo prazo da infraestrutura de transportes no país.
“Fomos às cinco regiões para ouvir, sobretudo, o setor produtivo e conhecer os gargalos que ele enfrenta para escoar a produção”, afirmou Gabriela.
O trabalho identificou 31 eixos prioritários de transporte e estabeleceu prioridades de manutenção para os corredores responsáveis pela movimentação de 80% das exportações brasileiras. Segundo a subsecretária, essa definição oferece um direcionamento mais claro para a aplicação dos recursos disponíveis.
“Se não encararmos o investimento em manutenção como estratégico, vamos abandonar os empreendimentos existentes. Na falta de recursos para manter toda a infraestrutura do país, temos um caminho muito claro sobre o que priorizar”, disse.
Gabriela explicou que os diferentes modos de transportes precisam ser planejados de forma integrada para evitar novos gargalos, especialmente nos acessos aos portos. O plano também prevê a ampliação de corredores como a Ferrogrão, com o objetivo de aumentar a capacidade de transporte e evitar a sobrecarga nas rodovias.
Outro ponto importante do PNL, segundo Gabriela, foi considerar o tema “sustentabilidade” na definição de todos os eixos. A especialista disse ainda que, diferente de planos anteriores, o PNL 2050 busca antecipar riscos, aprimorar os projetos e promover as discussões com os órgãos ambientais ainda nas etapas iniciais dos empreendimentos.
“O plano foi desenhado para ser de Estado, e não apenas setorial, para pensar o sistema de transportes como um todo”, concluiu.
A assessora técnica da Comissão, Elisangela Pereira Lopes, destacou a participação da CNA e das federações estaduais de agricultura e pecuária na construção do plano. O trabalho começou em 2025, com o levantamento das demandas que cada estado considerava urgentes para o setor.
“Oitenta por cento do que foi sugerido foi contemplado, o que gera otimismo para o setor produtivo. Quando o PNL incorporar a questão da armazenagem, teremos um planejamento completo da logística”, afirmou Elisangela.
Tabelamento de frete – A Comissão também discutiu as mudanças na Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. O presidente-executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (Anut), Luís Henrique Baldez, apresentou os impactos da Lei nº 15.485/2026 sobre a tabela de fretes e defendeu a regulamentação prioritária das novas regras.
Segundo Baldez, a legislação exige ajustes conceituais, metodológicos e operacionais, além de uma estratégia conjunta de atuação junto aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Ele abordou os 42 vetos presidenciais ao texto e sugeriu a mobilização do setor para avaliar quais devem ser mantidos ou derrubados pelo Congresso Nacional.
Entre os pontos discutidos estão a criação de tabelas diferenciadas conforme as cargas e as operações, os critérios usados no cálculo dos custos mínimos e as regras de fiscalização. Baldez apontou ainda que quatro insumos (combustível, mão de obra dos motoristas, pneus e recapagem e depreciação do veículo) representam cerca de 80% do custo do frete na composição atual da tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O diretor-presidente da Anut ressaltou ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não julgou a constitucionalidade da política de pisos mínimos. “Estamos em um limbo jurídico de total insegurança”, afirmou.
Elisangela Lopes destacou que a CNA acompanha as discussões relacionadas ao tema há vários anos. “Vamos continuar trabalhando para que a ANTT exerça sua função de agência reguladora”, disse.
Trigo – A Comissão também abordou a produção e o mercado de trigo no Brasil durante a apresentação do pesquisador Rafael Mingoti, da Embrapa Territorial.
Ele mostrou a plataforma Trigo no Brasil, desenvolvida em parceria com a Embrapa Trigo que reúne informações estratégicas para apoiar a tomada de decisão na cadeia produtiva.
A ferramenta disponibiliza painéis interativos sobre a produção nacional, os cultivos de sequeiro e irrigado e as regiões com potencial para expansão. Também reúne dados sobre importações e exportações, industrialização, consumo, custos de produção, seguro rural e distribuição de produtores, cooperativas, cerealistas, moinhos, armazenadores e empresas de sementes.
Segundo os dados apresentados, o Brasil ocupa a 17ª posição na produção mundial de trigo e responde por 1,11% do total produzido globalmente.
Fonte: Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil