Notícias

Aumento da tolerância no excesso de peso vai provocar mais acidentes nas estradas

PERIGO À VISTA: Governo federal autoriza elevação da tolerância de excesso de peso de 10% para 12,5%. Medida vai contribuir significativamente para o aumento de acidentes nas estradas brasileiras, dizem especialistas

Medida do governo federal anunciada nessa semana vai provocar um caos ainda maior com relação aos acidentes (sinistros) de trânsito, dizem os especialistas em segurança viária

A medida do governo federal em ampliar de 10% para 12,5% a tolerância do peso bruto total por eixo nas cargas acima de 50 toneladas em veículos de carga vai contribuir significativamente para o aumento de acidentes (sinistros) nas estradas brasileiras. A afirmação é de dois especialistas consultados pelo Estradas.

Segundo o engenheiro de Tráfego, Fábio Abrita Filho, um pavimento é projeto para suportar uma determinada carga por eixo. À medida que aumenta a tolerância, reduz-se a durabilidade. “Normalmente, toda tolerância permitida é usada pelo transportador ou pelo caminhoneiro. Com isso, o peso da carga fica acima do que o pavimento foi concebido para suportar. Com o passar do tempo, a vida útil projetada não será a mesma na prática”, explica.

Abrita Filho vai além e faz um alerta: “uma rodovia que recebe um fluxo de caminhões com peso acima do que ela foi projetada para suportar, ficará vulnerável à ocorrência de acidentes, porque há uma deteriorização mais rápida”.

Segundo Abrita Filho, as balanças nas rodovias – fiscalizadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) – têm como limite máximo de tolerância valores inferiores a 2%, o que significa 10% acima da exigência do INMETRO. “O transportador vai esses 10% a mais na carga. Além disso, o caminhão que transporta peso acima do especificado pelo fabricante, terá um dano precoce”.

De acordo com Abrita Filho, o controle por eixo é para proteger a rodovia, o pavimento. “Se há excesso de peso, há um dano maior ao pavimento, pois vai se deteriorar precocemente. Isso vai de encontro com a segurança”.

O engenheiro faz outro alerta: o dano no pavimento causado pelo excesso de carga é exponencial e não linear, ou seja, pequenos acréscimos de carga acarretam grandes aumentos, tornando o eixo potencialmente mais destrutivo com excesso de carga.

Excesso de peso e de velocidade

Na opinião do especialista em Acidentes de Trânsito e pós-graduado em Engenharia de Avaliações e Perícias, Rodrigo Kleinübing, a medida do governo terá uma repercussão grande na questão da segurança viária. “É uma mudança bem relevante, porque aumentará a deterioração das estradas, que já não é pouca. Então, isso vai requerer mais  manutenção. E essas estradas, deterioradas, vão causar mais acidentes. Isso só na questão viária”, explica.

Kleinübing esclarece outro ponto que será afetado é a questão veicular. “O Brasil tem um problema porque vai aumentar a manutenção dos veículos. A tendência é ter mais veículos sem condições de rodar, até porque nosso país não tem inspeção veicular, então, isso não é bem controlado.

O especialista alerta para outro ponto, que é a questão do caminhão, que é um veículo mais pesado, que tem uma menor eficiência de frenagem. “Se é difícil parar um caminhão, imagine parar um caminhão com excesso de peso! Isso vai causar acidentes, porque o veículo fica mais instável, devido ao excesso de peso”.

Kleinübing também relaciona o aumento da tolerância à deterioração do veículo. “Esse problema vai ser aumentado por conta do excesso de carga que, consequentemente, demandará mais manutenção do caminhão. Enfim, essa medida nada ajuda para a segurança no trânsito. Só piora uma situação que já não é boa”, pontua o perito.

Para finalizar, Kleinübing ressalta que não está se medindo as consequências que são graves para o trânsito. “Piora uma condição que já não é boa, com relação às estradas e aos veículos, e a tendência é causar mais acidentes. E se associar à velocidade – que também está sendo relaxada – temos aí um cenário de aumento de acidentes com vítimas fatais, infelizmente”.

Fonte: Estradas

Compartilhe:

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email