O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Campinas e Região (SINDICAMP) realizou, na última sexta-feira, dia 22 de maio, a 2ª edição do Programa Inovação, Estratégia e Gestão Empresarial, em sua sede, com o tema “Segurança Viária: O Custo Invisível que Pode Quebrar Sua Empresa”. A edição reuniu empresários, gestores, profissionais de frota, logística, segurança e operação para discutir como a segurança nas estradas começa muito antes do veículo sair para a viagem: ela nasce nas decisões estratégicas adotadas dentro das empresas.
Ao longo do encontro, os participantes acompanharam reflexões sobre os impactos humanos, financeiros, jurídicos e reputacionais dos acidentes de trânsito no transporte rodoviário de cargas. A proposta foi demonstrar que investir em segurança viária não deve ser visto apenas como uma obrigação operacional, mas como uma medida essencial para proteger vidas, preservar negócios e ampliar a competitividade das transportadoras.
A programação contou com a participação de Daniela Gurgel, coordenadora de Comunicação do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV); Luciane Machado, sócia-fundadora da SegVia Soluções; Emerson Galassi, co-founder da BROBOT; e Eduardo Leal, representante da ABTLP. Durante as apresentações, os palestrantes abordaram diferentes dimensões da segurança viária, conectando gestão de risco, inovação, tecnologia, comportamento humano e responsabilidade empresarial. Entre os temas discutidos estiveram a prevenção de acidentes, o uso de dados para identificar riscos, a importância da cultura de segurança nas empresas, os custos indiretos provocados por ocorrências nas estradas e a necessidade de transformar boas práticas em rotina operacional.
A presidente do SINDICAMP, Rafaela Cozar, destacou que o tema da edição dialoga diretamente com os desafios enfrentados diariamente pelas empresas de transporte. “Quando falamos de Transporte Rodoviário de Cargas, já não existe mais separação entre operação, gestão, tecnologia, compliance e segurança. Hoje, tudo isso faz parte da mesma estratégia empresarial. Exatamente por isso que escolhemos iniciar mais uma edição do Programa Inovação, abordando um tema que muitas vezes ainda é tratado apenas como operacional, mas que pode definir a continuidade e a sustentabilidade de uma transportadora”, afirmou a executiva.
Para Daniela Gurgel, do ONSV, ampliar a conscientização sobre segurança no trânsito exige envolvimento contínuo das empresas e das lideranças do setor. “O Maio Amarelo nasceu dentro do Observatório Nacional de Segurança Viária com a proposta de mobilizar a sociedade para discutir segurança no trânsito de forma ampla, acessível e permanente. O setor de transporte rodoviário de cargas é um dos que mais investem em segurança viária no país. Ainda assim, sabemos que o desafio continua sendo enorme e que precisamos avançar muito mais na construção de uma cultura efetiva de prevenção”, pontuou a jornalista.
Luciane Machado reforçou que a gestão da segurança deve estar integrada aos processos internos das transportadoras, com acompanhamento, planejamento e ações preventivas. “Quando trabalhamos com um público profissional como o TRC, temos a obrigação de fazer diferente. Não basta apenas conhecer o que precisa ser feito; é necessário aplicar corretamente os procedimentos e transformar isso em prática operacional”, destacou Luciane. A executiva ainda reforçou a necessidade das lideranças investirem em segurança. “A segurança precisa começar pela alta liderança. Quando os gestores entendem a importância do tema e incorporam isso à cultura da empresa, toda a operação passa a atuar de forma mais responsável”, ressaltou.
Durante sua participação, Emerson Galassi apresentou como a tecnologia pode apoiar empresas na identificação de vulnerabilidades, controle de informações e tomada de decisão mais rápida. “Muitas vezes, a multa é o primeiro sinal de que existe um comportamento de risco acontecendo na operação. As infrações precisam ser acompanhadas, analisadas e direcionadas corretamente. Quando a empresa monitora esses dados, ela consegue agir preventivamente e reduzir riscos antes que eles se transformem em ocorrências mais graves”, afirmou.
Eduardo Leal, representante da ABTLP, ressaltou a importância do alinhamento entre segurança, conformidade e responsabilidade no transporte, especialmente em operações que exigem maior controle e rigor técnico. “O transporte de produtos perigosos exige um nível de responsabilidade muito maior, porque qualquer ocorrência pode gerar impactos ambientais, operacionais e sociais extremamente relevantes. Diferente de outras operações, neste segmento nós não temos margem para erro”, explicou. O executivo também destacou a profunda relação entre entre o transporte de produtos perigosos e a segurança viária. “O transporte de produtos perigosos é um segmento que sempre esteve diretamente ligado ao tema da segurança. Não estamos falando apenas de transporte, mas de operações que exigem controle rigoroso, treinamento constante e uma cultura preventiva muito forte dentro das empresas”, finalizou.
Mais do que apresentar conceitos, a 2ª edição do Programa Inovação propôs uma mudança de percepção: tratar a segurança viária como parte da estratégia empresarial. O encontro mostrou que reduzir acidentes não é apenas uma meta operacional, mas uma decisão que influencia custos, produtividade, imagem institucional e permanência da empresa no mercado. “Quando falamos em inovação, não estamos falando apenas de digitalização ou tecnologia. Estamos falando sobre mudança de mentalidade, sobre construir empresas mais preparadas, estruturadas e adequadas aos desafios do futuro”, reforçou a presidente Rafaela Cozar.