Onda de frio nos EUA afeta produção de petróleo bruto e combustíveis
A Petrobras confirmou a expectativa do mercado de uma redução nos preços da gasolina com o corte de 5,2% no litro do combustível a partir de terça-feira (27/1). Entretanto, optou por manter a cotação do diesel, em meio às incertezas sobre os preços internacionais com a onda de frio nos EUA.
A gasolina passará a ser vendida nas refinarias da estatal às distribuidoras a R$ 2,57 por litro, uma redução de R$ 0,14.
O reajuste já era esperado desde o final do ano passado, com a queda no preço do barril de petróleo no mercado internacional.
Estimativas dos importadores indicavam que as cotações da estatal chegaram a ficar mais altas do que a paridade internacional em diversas ocasiões nas últimas quatro semanas.
A alteração nos preços chega em um momento em que os consumidores já começam a sentir os impactos da elevação do ICMS sobre os combustíveis, que passou a valer em 1º de janeiro.
Analistas apontam que a queda pode ajudar a aliviar a inflação no curto prazo.
A decisão também ajuda a manter a competitividade da gasolina frente ao etanol, antes do início da safra de cana-de-açúcar, em abril.
“A expectativa é de que esse ciclo seja mais alcooleiro, o que tende a deixar os preços do etanol mais competitivos no mercado doméstico. O reajuste no preço da gasolina contribuiu para a manutenção da competitividade do produto”, explica a responsável por precificação de combustíveis da Argus, Gabrielle Moreira.
Desde 2023, a Petrobras também considera fatores como competitividade e participação de mercado na definição dos preços internos.
Restam incertezas agora sobre quando a estatal fará um reajuste também no diesel, que permanece sem alterações desde maio de 2025.
O cenário para esse combustível, no entanto, é mais complexo: o Brasil tem maior dependência de importação para o diesel do que para a gasolina.
Além disso, nos últimos dias os preços internacionais para o combustível sofreram maior variação. Há incertezas sobre o suprimento de diesel no mercado internacional, sobretudo em meio à nevasca nos Estados Unidos no começo deste ano.
Diversas refinarias da costa do Golfo do México tiveram as operações afetadas nos últimos dias, assim como campos de produção de petróleo bruto.
Pelo menos 2 milhões de barris/dia deixaram de ser produzidos no país apenas no último final de semana, segundo a Reuters.
As previsões climáticas indicam a continuação das temperaturas frias, o que deve ajudar a sustentar as margens do refino em patamares elevados, segundo o analista da StoneX, Bruno Cordeiro.
“A possibilidade de uma redução do refino por conta da forte frente fria que atravessa os EUA acaba por ampliar os prêmios do refino de diesel, em meio à expectativa de uma possível restrição de oferta em um cenário de forte avanço do consumo”, diz Cordeiro.
Preço do barril
O petróleo fechou em queda na segunda-feira (26/1), refletindo os temores de uma oferta excessiva da commodity frente ao aumento de embarques da Venezuela e sob expectativas para a próxima reunião da Opep+. Investidores monitoram ainda o impacto da forte tempestade nos Estados Unidos.
O Brent para abril caiu 0,46%, a US$ 64,77 o barril.
Leilão de partilha. A ANP aprovou a inclusão de 17 blocos exploratórios na nova versão do edital do leilão da oferta permanente de partilha.
Agora, 25 blocos exploratórios estão aprovados para compor o edital do próximo leilão de partilha. Entretanto, somente nove têm aval ambiental.
Os outros 16 aguardam a emissão de manifestação conjunta do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Sergipe Águas Profundas. A diretoria da ANP também aprovou o plano de desenvolvimento dos campos em águas profundas em Sergipe, após revisão pela Petrobras. Excepcionalmente, a agência também prorrogou o contrato de concessão das áreas antes do início da produção.
Com isso, a companhia garantir o aval para produzir por três décadas na região.
Mais gás em Sergipe. A agência reguladora aceitou o pedido da Mandacaru Energia para a prorrogação por 60 dias do início da produção do campo de Dó-Ré-Mi, na porção terrestre da Bacia de Sergipe.
Campo de Raia
Já o recurso da Equinor sobre a unificação do campo da Raia foi rejeitado pela agência. A ANP manteve a delimitação de Raia Manta e Raia Pintada como um único campo.
A decisão poderá ter efeitos fiscais, a depender das regras de cobrança de participações especiais.
bioGLP. A Refinaria Riograndense recebeu aval para comercializar o bioGLP produzido em suas instalações. É a primeira autorização do tipo no país, como parte dos investimentos na conversão da matriz da planta em Rio Grande (RS).
Gás do Povo
O deputado federal Hugo Leal (PSD/RJ), relator da Medida Provisória 1313/2025 que instituiu o novo benefício social para o gás de botijão, busca acelerar a tramitação, ao mesmo tempo em que trava um embate com a ANP em meio às discussões regulatórias sobre fracionamento de botijões e definição de gasodutos.
A retomada dos trabalhos do Congresso Nacional, no início de fevereiro, será decisiva para o futuro do programa. A MP precisa ser aprovada até 11 de fevereiro para não caducar.
Banimento de gás russo. A União Europeia confirmou o acordo político provisório fechado no fim de 2025 para proibir integralmente as importações de gás natural russo, tanto por gasodutos quanto na forma de gás natural liquefeito (GNL).
O regulamento fixa o fim do GNL em 1º de janeiro de 2027 e estabelece 30 de setembro de 2027 como data-limite para o gás transportado por gasodutos.
Ambiente livre de contratação. O mercado livre de energia vai passar por uma grande transformação com a abertura aos consumidores de baixa tensão que deve tornar a contratação nesse segmento ainda mais digital do que é hoje, na visão do diretor de Clientes, Inovação e Serviços do grupo Equatorial, Maurício Veloso.
Com a chegada dos 14 milhões de consumidores de baixa tensão que vão ter a possibilidade de migrar para o segmento, o processo vai precisar ser mais digital, na opinião do executivo.
Comercialização
A Aneel autorizou a Pontal Energy e o frigorífico Prima Foods a comercializarem energia no mercado livre. A Pontal Energy atua na geração de energia eólica e solar. Em parceria com a RZK, a companhia controla a Thopen, que já atua no mercado livre de energia.
Financiamento climático. O BNDES anunciou a seleção de sete fundos de investimento na Chamada Pública de Mitigação Climática. A iniciativa é voltada ao financiamento de projetos de transição ecológica, restauração ambiental e descarbonização da economia.
Os fundos terão aporte de até R$ 4,3 bilhões por meio do BNDESPar, e devem mobilizar cerca de R$ 16,2 bilhões adicionais em recursos privados.
Fonte: Eixo