Estradas administradas pelo DER estão há quatro anos sem nenhum equipamento do tipo; ainda está em discussão os pontos exatos onde os aparelhos serão instalados
Após quatro anos sem radares fixos, as rodovias administradas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) na região de Campinas ganharão 85 equipamentos de controle de velocidade nos próximos 100 dias. Eles fazem parte de um total de 649 radares em todo o Estado de São Paulo, divididos em 14 lotes que tiveram o contrato de R$ 83,7 milhões. Tanto os contratos como as ordens de serviços já foram assinadas pelo órgão com as quatro empresas vencedoras da licitação lançada em 2023 e concluída agora. Os dispositivos serão instalados em pontos estratégicos dos mais de 16 mil quilômetros de rodovias administradas pelo DER-SP, mapeados como aqueles com maiores índices de acidentabilidade.
Segundo o órgão, as estradas onde os radares serão instalados estavam sem aparelhos fixos desde janeiro de 2021, o que ocorreu devido ao término do contrato com as empresas responsáveis pelo fornecimento dos aparelhos. Com a entrada em operação dos novos equipamentos, o número de radares mais do que dobrará, chegando ao total de 1.185 em operação em rodovias estaduais paulistas.
Atualmente, estão em funcionamento 536 equipamentos, sendo 524 em estradas privatizadas e 12 na malha gerida pelo DER. Segundo o departamento, foram considerados fatores como tipo de acidente registrado, alta velocidade praticada, condições geométricas da via, pontos críticos e proximidade de passagem de fauna, além de outros. A região de Campinas será a segunda do Estado que mais receberá novos radares, atrás apenas da Região Metropolitana de São Paulo, com 124. Os equipamentos serão instalados em todas as divisões regionais do DER.
DISTRIBUIÇÃO
Na região de Campinas, os novos dispositivos serão distribuídos por 24 rodovias onde os veículos podem trafegar no máximo entre 60 km/h e 80 km/h. O valor da multa por excesso de velocidade depende de quanto o motorista ultrapassa o limite. Ela vai de R$ 130,16 e 4 pontos na Carteira Nacional de Habilitação, quando a taxa é de até 20% acima do permitido, a até R$ 880,41 e suspensão automática da CNH por dois a oito meses, no caso de a infração ser acima de 50% do autorizado.
“O excesso de velocidade é um dos principais motivos para a aplicação de multas de trânsito no Brasil. É, também, um dos maiores causadores de acidentes”, afirmou o advogado Gustavo Fonseca, especialista em Direito de Trânsito e processo administrativo. Para ele, o uso adequado desses aparelhos é uma ferramenta eficiente para reduzir as ocorrências e salvar vidas. De acordo com o DER, os novos radares entrarão em funcionamento até o final de maio próximo. Na região, eles serão instalados em rodovias que cortam cidades como Campinas, Valinhos, Vinhedo, Jaguariúna, Paulínia e Sumaré, além de outras.
Motoristas se manifestaram favoráveis ao aumento de radares. “Pode ser que agora isso acabe com a armadilha dos radares móveis escondidos usados pela Polícia Rodoviária”, especulou Severino Ramos, carreteiro que circula em torno de 10 mil quilômetros por mês em todo o Estado. Ele admitiu já ter sido multado por excesso de velocidade. “Muitas vezes os radares escondidos ficam em descidas. Você distrai um pouco e acaba ultrapassando o limite permitido”, justificou. Severino Ramos garantiu nunca ter sido multado em estradas onde os radares são fixos.
“Eu acho que os novos radares podem ajudar a reduzir os acidentes em alguns trechos, mas, em muitas estradas, a finalidade é apenas a de aumentar a arrecadação”, opinou outro motorista de carreta, Erik Dantas. “Eu acho que a medida é boa para aumentar a segurança e reduzir os acidentes”, disse a dona de casa Daiane Menaen, que circula muito entre as cidades próximas a Campinas. A condutora admitiu que terá de mudar o comportamento e passar a ter mais cuidados para evitar a suspensão da CNH. “Eu já tomei vária multas por excesso de velocidade”, revelou.
TIPOS De acordo com o DER, os novos radares a serem instalados serão de dois tipos. O primeiro é o fixo-redutor, instalado apenas em locais com maior adensamento urbano, com maior presença de pedestres e ciclistas, contando com display para mostrar a velocidade dos veículos durante a passagem. O outro é o fixo-controlador, que faz a medição de velocidade sem o uso de display, em trechos com maior velocidade fora da área urbana. Ambos os modelos fazem a verificação por meio de um laço indutivo embutido num ponto fixo, instalado sob o pavimento da via, tecnologia usada também por radares em avenidas e ruas urbanas. Com a conclusão da licitação, o Departamento de Estradas de Rodagem desistiu de usar o radar doppler, como é chamado o que registra a velocidade até 50 metros após a passagem pelo equipamento, impedindo que os motoristas acelerem novamente depois de cruzar o aparelho. É popularmente conhecido como “antimigué”.
“Os novos radares contratados simbolizam o compromisso em priorizar a segurança dos usuários e reforçar a mensagem de que toda vida importa. Queremos ir além da Segunda Década de Ação para a Segurança Viária, da ONU, que propõe a redução de 50% das mortes e lesões no trânsito até 2030, buscando chegar o mais perto possível de zerar esse índice”, projetou o superintendente do DER-SP, Sergio Codelo.
“A implantação de radares contribui para reduzir acidentes, garantir a segurança dos usuários e salvar vidas, uma vez que sua presença auxilia no respeito aos limites de velocidade, melhorando o tempo de reação dos condutores e atenuando a gravidade de eventuais impactos”, justificou o coordenador geral de Operações Viárias do DER, Ricardo Miguel do Nascimento. De acordo com o departamento, a área de cobertura será ampliada com a nova licitação. Além de fiscalizar os limites de velocidades, os novos equipamentos serão capazes de contar automaticamente os eixos dos veículos para fins estatísticos e transmitir em tempo real os dados para uma central do órgão.
Segundo ele, o fornecimento dessas informações permitirá a adoção de intervenções para organizar o fluxo do tráfego. Já a contagem do número de veículos será um instrumento para auxiliar no planejamento de futuras obras necessárias. O DER é responsável por pouco mais de 11 mil quilômetros de rodovias com pista simples e outros 5,3 mil km com pista dupla. A malha inclui estradas que ligam vários municípios, vicinais e vias de ligação de cidades a rodovias de grande circulação de veículos.
Esse é o caso por exemplo, da SPA 115/300, a Rodovia Virgínia Viel Campo Dall’Orto, que liga Sumaré a Rodovia Anhanguera, onde serão instalados dois radares.
De acordo com o departamento, a definição dos pontos onde os equipamentos serão instalados em todas as rodovias ainda pode sofrer alteração devido a estudos que estão sendo feitos com o objetivo de entender a melhor solução de segurança viária para cada local. Algumas das importantes rodovias que receberão os radares são a SP-073 – Lix da Cunha (Campinas – Salto), a SPA 135/065 – Miguel Joel Nascente Buernier (Campinas – Rodovia Adhemar de Barros), a SP-091 – Francisco Von Zuben (Campinas-Valinhos) e a SP-332 – Rodovia Professor Zeferino Vaz (Campinas-Conchal).
Fonte: Correio Popular