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Troca de frota de caminhões mais antigos e poluentes depende de R$ 104,8 bilhões

Estudo mostra que renovação da frota mais velha pode reduzir em 33,5% a quantidade de emissão de poluentes; governo e setor preparam programa de incentivo

Na boleia do seu caminhão Mercedes-Benz, modelo fabricado em 1971, o caminhoneiro Paulo Henrique Oliveira espera, estacionado, para pegar mais uma carga.

Por semana, ele roda cerca de 2.500 quilômetros na região de Goiás, entregando farinha de trigo. O velho caminhão azul ainda dá conta do serviço, garante Oliveira, mas todo ano são cerca de R$ 40 mil gastos em manutenção, isso se nada mais grave acontecer.

“Comprei esse caminhão há quatro anos. Paguei R$ 80 mil, pegando empréstimos em dois bancos e vendendo meu carro. É claro que eu queria ter um caminhão mais novo, para pegar mais serviço. Hoje, tem empresa que não chama a gente, por causa da idade do caminhão”, conta Paulo. “A verdade é que a gente não tem apoio pra isso, não acha recurso, é tudo caro demais. Não dá pra trocar”.

Estudo mostra que renovação da frota mais velha pode reduzir em 33,5% a quantidade de emissão de poluentes; governo e setor preparam programa de incentivo

Na boleia do seu caminhão Mercedes-Benz, modelo fabricado em 1971, o caminhoneiro Paulo Henrique Oliveira espera, estacionado, para pegar mais uma carga.

Por semana, ele roda cerca de 2.500 quilômetros na região de Goiás, entregando farinha de trigo. O velho caminhão azul ainda dá conta do serviço, garante Oliveira, mas todo ano são cerca de R$ 40 mil gastos em manutenção, isso se nada mais grave acontecer.

“Comprei esse caminhão há quatro anos. Paguei R$ 80 mil, pegando empréstimos em dois bancos e vendendo meu carro. É claro que eu queria ter um caminhão mais novo, para pegar mais serviço. Hoje, tem empresa que não chama a gente, por causa da idade do caminhão”, conta Paulo. “A verdade é que a gente não tem apoio pra isso, não acha recurso, é tudo caro demais. Não dá pra trocar”.

“O ministério se pronunciará sobre o programa quando de sua conclusão. Adiantamos que, entre os objetivos do programa de renovação de frota, estão aumento da produtividade e eficiência logística, redução de custos operacionais, redução do consumo de combustível, mais segurança nas rodovias, melhoria nas condições de trabalho dos motoristas profissionais e mais sustentabilidade ambiental, com reciclagem de materiais e redução das emissões de CO2”, afirmou.

Segundo Luiz Carlos Moraes, diretor de Relações Institucionais e Comunicação Corporativa da Mercedes-Benz do Brasil, o país já conta com uma cadeia potencial para fazer o recolhimento correto de caminhões velhos, separar os tipos de sucata e destinação. O que falta é mostrar de onde vão sair os recursos e em quais condições.

“Essa renovação promove uma economia circular, com mais oportunidades. O desafio é encontrar um recurso que não comprometa o impacto fiscal. O BNDES pode ser um parceiro, para financiar em condições aceitáveis. Sentimos que o governo está sensível à importância disso”, diz Moraes.

O diretor-executivo da CNT, Bruno Batista, afirma que, em países europeus e no Japão, o governo também adota outras estratégias para estimular a troca de caminhões. O valor do IPVA, por exemplo, que no Brasil cai com o passar dos anos, faz o caminho inverso nesses países, aumentando conforme o envelhecimento do veículo. “Isso estimula a troca, incentiva a busca por modelos mais eficientes”, diz.

Antes de receber um IPVA mais caro, o caminhoneiro Adergécio Marques da Silva, o “Dino”, de 65 anos, espera que um banco ofereça a ele condições favoráveis para que ele troque seu caminhão fabricado em 1999.

“Se tiver oportunidade, todo mundo muda de caminhão, mas a realidade é difícil. Eu mesmo já desisti de trocar. Na minha idade, nenhum banco quer fazer financiamento. Dizem que posso morrer até os 71 anos”, comenta Dino. “E eu só quero trabalhar”.

Fonte: Folha de S. Paulo

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