Proposta reserva R$ 12,46 bilhões para o transporte rodoviário, enquanto a CNT calcula em R$ 49,93 bilhões o necessário para manter, restaurar e reconstruir rodovias federais sob gestão pública
A proposta de orçamento federal para 2027 prevê R$ 16,07 bilhões em investimentos para a infraestrutura de transporte, uma queda de 4% em relação ao valor previsto no projeto orçamentário de 2026. A redução ocorre em um cenário de alta de 12,8% nos investimentos públicos federais totais programados para o próximo ano, que devem somar R$ 297,6 bilhões, segundo análise da Confederação Nacional do Transporte (CNT).
A diferença importa para as empresas porque a infraestrutura de transporte influencia a circulação de mercadorias, a previsibilidade das entregas e a eficiência logística. O orçamento, porém, não permite concluir sozinho se a redução levará a fretes mais caros. Para isso, seria necessário medir como a verba aprovada e efetivamente executada afeta as condições das vias e a operação das transportadoras.
Do total previsto para o setor, R$ 14,61 bilhões correspondem a investimentos da União e R$ 1,45 bilhão, aproximadamente, a empresas estatais. A proposta ainda tramita no Congresso Nacional e pode ser alterada.
A maior parte dos recursos da União destinados à infraestrutura de transporte iria para as rodovias: R$ 12,46 bilhões, ou 85,2% do total previsto para o setor. A quantia equivale a aproximadamente um quarto dos R$ 49,93 bilhões que a CNT estima serem necessários para manutenção, restauração e reconstrução das rodovias federais sob gestão pública.
A distância entre o valor previsto e a necessidade calculada pela entidade coloca em foco a capacidade de financiar obras e serviços que sustentam o transporte de cargas. Segundo a CNT, os recursos para investimentos em transporte também recuaram nas propostas orçamentárias anteriores: 9,2% no PLOA de 2025 e 16,5% no de 2026, conforme a comparação apresentada pela confederação.
Os demais investimentos da União previstos para o setor seriam distribuídos entre ferrovias, transporte aquaviário e aéreo. O segmento aquaviário é o único dos três com aumento na proposta: receberia R$ 640,73 milhões, alta de 35,6% ante o PLOA de 2026. Para ferrovias, estão previstos R$ 808,61 milhões, abaixo dos R$ 929,22 milhões do projeto anterior. No transporte aéreo, a proposta é de R$ 212,61 milhões, ante R$ 279,49 milhões.
Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, a tramitação do orçamento no Legislativo é uma oportunidade para aprimorar a destinação dos recursos. “O planejamento dos investimentos é fundamental para atender às necessidades do setor de transporte brasileiro, ampliar a eficiência logística e contribuir para a competitividade da economia do país”, afirma.
Fonte: Forbes