Estudo realizado pelo ILOS aponta aumento em relação aos 15,5% do PIB registrados em 2025
Os custos logísticos devem chegar a R$ 2,2 trilhões no Brasil em 2026, segundo o estudo anual de custos logísticos do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). O valor corresponde a 16,1% do Produto Interno Bruto (PIB), acima dos 15,5% registrados em 2025, enquanto as empresas já projetam novos aumentos nos gastos com transporte, armazenagem e estoques no próximo ano.
De acordo com o sócio-diretor do ILOS e responsável pelo estudo, Maurício Lima, o custo de mover, armazenar e financiar estoques no Brasil se estabilizou em um patamar significativamente superior ao da última década.
CUSTOS DE TRANSPORTE E ESTOQUES
A pesquisa do ILOS revelou que o custo dos estoques foi o componente que mais variou nos últimos anos. Enquanto o transporte permanece próximo de 9% do PIB desde 2020, os gastos com estoques passaram de 2,9% do PIB naquele ano para 5% em 2022. O indicador chegou a 5,6% em 2023 e permaneceu nesse patamar em 2025.
Segundo Maurício Lima, a evolução acompanha o ciclo de juros no país. Com a taxa Selic elevada, o capital imobilizado em mercadorias passou a representar uma parcela maior dos custos das empresas. Para ele, não é apenas o volume de estoque que explica a alta, mas também o custo de carregá-lo.
A CONTA NAS EMPRESAS
Para entender como os custos logísticos afetam o caixa das empresas, o ILOS realizou, no primeiro semestre de 2026, uma pesquisa com mais de 100 das maiores companhias industriais e varejistas do país em faturamento.
O levantamento mostrou que as despesas com logística consomem, em média, 9,5% da receita líquida dessas empresas. O peso varia conforme o setor: chega a 19,8% em materiais de construção, enquanto representa 3% nas áreas de tecnologia e telecomunicações.
E O FUTURO?
Segundo o ILOS, o quadro tende a se agravar no ano que vem. No Brasil, 69% das empresas acreditam que o custo de transportes aumentará em 2027, com aumento médio esperado de 9,6%.
Já em armazenagem, 44% das empresas esperam aumento de custos, com alta média de 5,7%. Por fim, 31% das empresas acreditam em aumento nos custos de estoque, com alta média de 7,0%.
“O Brasil não está diante de um pico de custo logístico, mas de um novo patamar. O salto de 2022 se consolidou e, três anos depois, seguimos operando acima de 16% do PIB. O que preocupa é que as empresas não enxergam alívio: elas próprias projetam uma alta de quase 10% no custo de transporte em 2027, acima da inflação esperada”, afirmou Lima. Na visão dele, isso pressiona margem, preço ao consumidor e competitividade do país ao mesmo tempo.
Fonte: MundoLogística