Os caminhoneiros sabem, na prática, que as rodovias ruins impactam direto no valor do frete recebido. A falta de infraestrutura aumenta o risco de acidentes, traz imprevistos no caminho e ainda eleva o consumo de diesel, reduzindo a rentabilidade de cada viagem.
Em 2025, os acidentes nas rodovias federais brasileiras geraram um custo estimado de R$ 16,8 bilhões. Ao longo do ano, foram registrados 72.483 sinistros, que resultaram em 6.044 mortes. Embora os números representem uma leve queda em relação a 2024 – quando foram contabilizados 73.201 acidentes e 6.163 óbitos- o cenário ainda preocupa o setor de transporte.
Um dos principais fatores por trás desses resultados é a condição precária das rodovias ruins. A falta de infraestrutura adequada não impacta apenas a segurança, mas também eleva significativamente os custos operacionais do transporte. Para o caminhoneiro autônomo, por exemplo, isso significa mais consumo de diesel e maior custo de manutenção.
De acordo com a Pesquisa CNT de Rodovias, problemas no pavimento podem gerar um aumento de até 31,2% nos custos, afetando diretamente a competitividade do país e o preço final dos produtos.
Os impactos também se estendem ao meio ambiente. Em 2025, estima-se que a má qualidade do pavimento tenha provocado o consumo adicional de 1,2 bilhão de litros de diesel. Esse desperdício representou um prejuízo de R$ 7,21 bilhões para os transportadores, além da emissão de 3,17 milhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera.
Para reverter esse quadro, o estudo aponta a necessidade de investimentos da ordem de R$ 101,10 bilhões em ações emergenciais, como reconstrução e restauração, além de manutenção contínua da malha rodoviária.
Em contrapartida, dos R$ 12,35 bilhões autorizados pelo governo federal para infraestrutura rodoviária em 2025, R$ 11,08 bilhões haviam sido efetivamente investidos até novembro, o equivalente a 89,7% do total.
A Pesquisa CNT de Rodovias também mostra a evolução da extensão avaliada nos últimos anos. Em 2023, foram analisados cerca de 26 mil quilômetros de rodovias concedidas; em 2024, aproximadamente 28 mil quilômetros.
Em 2025, esse número chegou a 30.130 quilômetros, dentro de um universo de 114.197 quilômetros avaliados, abrangendo trechos federais e estaduais.
Rodovias ruins: retrato das estradas é preocupante
Hoje, o retrato das estradas é preocupante, mesmo tendo sinalizado uma pequena melhora em relação ao ano anterior. Em 2025 62,1% das rodovias foram avaliadas estão em estado Regular, Ruim ou Péssimo. Ou seja, a maioria dos trechos ainda apresenta algum tipo de problema que impacta diretamente a segurança e o custo do transporte.
Mesmo quando a estrada está “regular”, o alerta já está ligado. Esse nível de classificação indica início de desgaste, e, sem manutenção, a tendência é piorar rapidamente.
No recorte do pavimento, a situação reforça o cenário: mais da metade da malha (56,5%) apresenta algum tipo de deficiência, com trechos classificados entre Regular, Ruim e Péssimo.
Para quem vive do volante, isso não é estatística é o dia dia na estrada. É desviar de buraco, reduzir velocidade, perder tempo de viagem, aumentar o consumo e ainda correr mais risco.
Fonte: O Carreteiro