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PIB de Campinas é superior ao de 19 capitais brasileiras

Estatística é referente ao ano de 2021, quando metrópole registrou quase R$ 73 bilhões em bens e serviços produzidos

 

Campinas é uma cidade mais rica do que 19 capitais brasileiras. A revelação foi feita pelo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base no Produto Interno Bruto (PIB) de 2021, ano em que a cidade somou R$ 72,94 bilhões em bens e serviços produzidos. O município ficou atrás apenas de São Paulo, que ocupou a primeira colocação nacional com R$ 828,98 bilhões, Rio de Janeiro-RJ (R$ 359,62 bilhões), Brasília-DF (R$ 286,94 bilhões), Belo HorizonteMG (R$ 105,82 bilhões), Manaus-AM (R$ 103,28 bilhões), Curitiba-PR (R$ 98 bilhões), Porto Alegre-RS (R$ 81,56) e Fortaleza-CE (R$ 73,43). Para o coordenador do curso de Economia das Faculdades de Campinas (Facamp), José Augusto Gaspar Ruas, a importância desse dado é o reflexo direto na vida da população. “Quando você olha o nível da atividade econômica, estamos falando diretamente das possibilidades de geração de emprego, de oferta de serviços, de infraestrutura, de qualidade de vida”, afirmou. O economista avaliou que “as pessoas que moram em Campinas, certamente pelo tamanho da sua atividade econômica, tendem a ter um maior volume de oportunidades de emprego, por exemplo, de abertura de negócios. Ou, eventualmente, de procurar algum emprego como CLT (com registro em carteira). Quem tem um PIB um pouco maior se destaca”.

Campinas é um dos principais centros de tecnologia e inovação do país, com a principal atividade econômica sendo a de serviços. De acordo com o IBGE, esse setor responde por 72,1% da economia, o que abre oportunidades desde para o microempreendedor até megaempresas. Um exemplo é Lee Shaohua, que voltou a morar na cidade após 10 anos, período em que residiu em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. “Precisei voltar para cuidar dos meus pais”, explicou. Para garantir uma renda, há um ano ele abriu uma assistência técnica para telefones celulares e notebooks na Avenida Campos Sales, no Centro.

Entre capinhas, películas, suportes de celular para veículos e outros acessórios, ele realiza os consertos de frente para a via recentemente requalificada. Na hora de abrir o próprio negócio, optou pela experiência adquirida ao trabalhar com essa atividade em outros locais. Além da assistência técnica, ele trabalha como distribuidor de peças importadas, atuando em parceria com um primo, dono de uma importadora especializada nesse ramo em São Paulo. Com isso, Shaohua tem a oportunidade de lucro, ao vender as peças para terceiros, mas também de economia, uma vez que possui itens mais baratos para eventuais reparos em sua loja. “Ninguém aqui no Centro consegue ter um preço melhor do que o meu”, contou. Porém, ele lamentou quando perguntado se está satisfeito com o próprio negócio. “Já foi melhor. Hoje tem muita concorrência”, reclamou.

PONTO ESTRATÉGICO

Campinas também foi a escolha para a instalação de uma central de distribuição de uma empresa logística integrante de uma gigante chinesa de comércio eletrônico. Ela anunciou no início deste mês a implantação de sua unidade no país no Aeroporto Internacional de Viracopos. A previsão é que o centro entre em operação até o final do ano, gerando aproximadamente 200 empregos diretos e mais de mil indiretos nas áreas de logística, operações, tecnologia da informação e serviços auxiliares.

A empresa investiu na construção das instalações, que ficam no antigo terminal de passageiros do aeroporto, compra de equipamentos e contratação de recursos humanos. A estratégia de expansão prevê ampliar a oferta de produtos, diversificar canais de venda e fortalecer parcerias com empresas brasileiras. “No futuro, à medida que os negócios se estabilizarem, o hub poderá se desenvolver para se tornar um centro de operações para toda a América do Sul”, disse o diretor de Relações Institucionais do grupo para América Latina, Felipe Daud.

A localização estratégica de Campinas foi fundamental para a decisão de investimento da empresa. Ela contará uma infraestrutura formada pelo maior aeroporto de cargas do país e uma malha rodoviária que permite despachar produtos para diversas regiões. Além disso, outro ponto estratégico é a proximidade com o Porto de Santos, o maior do país, a apenas 180 quilômetros de distância.

DIVERSIDADE

Augusto Ruas explicou que o resultado do PIB de Campinas também é beneficiado pelo fato de o município ter uma economia diversificada. Outros dois setores locais importantes apontados pelo IBGE são a indústria, participação de 18,8%, e administração pública, 8,8%. Isso garante uma grande arrecadação tributária, que foi de R$ 13,82 bilhões em 2021, segundo o IBGE.

“Isso é um sinal positivo para a capacidade do município de oferecer os serviços básicos para a sua população. E não somente os básicos de saúde e educação, mas também podendo pensar em políticas culturais de qualidade. Aí a questão da eficiência da gestão pública torna-se um elemento fundamental”, analisou o economista.

Para 2025, a Prefeitura prevê um orçamento acima dos R$ 10 bilhões pela primeira vez em sua história. A Lei Orçamentária Anual (LOA) encaminhada para a Câmara Municipal prevê R$ 10,8 bilhões no próximo ano, valor 15,6% superior aos R$ 9,3 bilhões de 2024. Para atender à demanda da população, instituições também investem em ensino. Campinas conta com um boa rede que vai desde o ensino básico até universidades, incluindo algumas das melhores do país.

O coordenador da Faculdade de Economia da Facamp ressaltou ainda o potencial econômico da Região Metropolitana de Campinas (RMC). “Uma série de empresas do setor automobilístico, petroquímico e as maiores do setor farmacêutico do Brasil também estão na nossa região”, pontuou Augusto Ruas. Essa riqueza econômica coloca duas cidades da RMC entre as dez mais ricas do Estado de São Paulo, Campinas e Paulínia. A metrópole aparece na quarta posição, tendo à frente no ranking paulista a Capital, Osasco (com R$ 86,11 bilhões) e Guarulhos (R$ 77,37 bilhões).

Na opinião de Augusto Ruas, esse potencial econômico tem o seu contraponto negativo: maior custo de vida. “Campinas passou por um processo de elevação de preços de imóveis bastante intenso nos últimos anos. Houve elevação de preços de aluguéis em algumas regiões, muito acima da inflação, principalmente nas regiões mais nobres”, disse Augusto Ruas. Paulínia, com PIB de R$ 52,38 bilhões, está na oitava colocação. A cidade, onde está o maior polo petroquímico da América Latina, deixou para trás dois municípios conhecidos por serem polos aeroespacial e industrial, São José dos Campos (R$ 45,2 bilhões) e Sorocaba (R$ 44,53 bilhões).

Fonte: Correio Popular

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