Concessionária CCR Sorocabana afirma que, embora o número de pontos de cobrança vá aumentar, a tarifa paga pelo usuário por km percorrido será menor
A concessão do Lote Sorocabana, que teve início neste domingo, 30, vai cobrar pedágio em cerca de 330 km de rodovias onde os motoristas nunca pagaram tarifa. No total, a concessão abrange 460 km em 12 rodovias do sudoeste paulista, entre elas trechos da Castello Branco e da Raposo Tavares, que passarão a ter 23 pedágios do sistema free flow, sem cabines. Atualmente são cinco praças convencionais.
A concessionária CCR Sorocabana afirma que, embora o número de pontos de cobrança vá aumentar, a tarifa paga pelo usuário por km percorrido será menor.
Em 30 anos, a concessionária deve investir R$ 6,2 bilhões em modernização e melhorias dos trechos e R$ 3,9 bilhões para elevar os padrões operacionais dos serviços aos usuários. Entre as obras principais estão 68,1 km de duplicações, 40 km de pistas marginais, 25,6 km de faixas adicionais, 24,5 km de ciclovias e 26 obras de arte especiais, como pontes e viadutos.
Embora as obras de maior impacto só comecem a partir do terceiro ano, com exceção de intervenções já em andamento na Castello e na Raposo, os primeiros pórticos do free flow serão instalados até o final de abril de 2026. Os locais ainda estão sendo definidos. Outros três pórticos operam no segundo semestre de 2026.
Como a cobrança é unidirecional – o usuário paga na ida e na volta – cada pedágio neste modelo corresponde à instalação de dois pórticos, um em cada pista. Com isso, quando o sistema estiver completo, serão 46 pórticos em operação. Os pórticos do free flow são dotados de sensores e câmeras que leem as placas e dimensões do veículo e fazem a cobrança automática.
De acordo com o diretor da concessionária, Rodrigo Monteiro, as cinco praças atuais com cabines, sendo uma na Castello Branco (km 72,8), uma na José Ermírio de Moraes, a Castelinho (km 12) e três na Raposo Tavares (km 47,5, km 79,1 e km 118,8) serão desativadas e substituídas por pórticos. “Na medida que o free flow for implantado, a partir do 25° mês de concessão, as praças atuais serão demolidas e vamos ficar só com o sistema eletrônico”, diz.
Mudança no sistema e redução da tarifa
Com a nova concessão e a mudança no sistema de cobrança, as tarifas desses pedágios tiveram redução de até 25,4% a partir deste domingo. O desconto é maior para usuários que usam tags de pagamento eletrônico. Monteiro lembra que, por ao menos um ano, os pedágios não terão aumento de tarifa, que é concedido anualmente no mês de julho. “Como a concessão começou agora, só vamos ter aumento em 2026″, disse.
Os pedágios serão distribuídos da seguinte forma:
- 8 na rodovia Raposo Tavares,
- 2 na Castello Branco,
- 2 na José Ermírio (ligação de Sorocaba à Castello, conhecida como Castelinho),
- 1 na Celso Charuri (interligação Castello-Raposo, em Sorocaba),
- 4 na Bunjiro Nakao e sequências,
- 3 na Raimundo Soares e sequências
- 1 na Lívio Tagliassachi (liga São Roque à Castello).
Para o diretor da CCR, o grande destaque da concessão é o sistema free flow. “Embora a gente comece com as cinco praças convencionais já existentes, em pouco anos o sistema todo será de free flow, com pórticos que não impactam a fluidez do tráfego. O que temos hoje, nas praças convencionais, é desaceleração, perda no tempo de viagem, até um certo congestionamento onde tem a praça. Além disso, o usuário pagará tarifa menor.”
Ele prevê tarifas pelo menos 25% menores que as atuais, e ainda com descontos para usuários frequentes. “Há uma confusão entre a quantidade de pedágios e o custo da tarifa. Quanto mais pórticos, melhor para o usuário, pois o sistema que vamos usar é de cobrança por km rodado. O usuário entra em um ponto e sai em outro, então paga apenas por aquele trecho que usou e em que há a cobertura do pedágio.”
As marginais da Raposo em Sorocaba também terão pórticos para evitar que elas se tornem rota de evasão do pedágio, segundo o diretor. “Estamos estudando com o poder concedente um mecanismo para não cobrar pedágio de quem só usa o trecho urbano da marginal. Quem paga pedágio fora da área urbana e evita o próximo pedágio entrando na área urbana, depois volta para a rodovia deve ser taxado, mas estamos vendo a melhor forma de fazer isso.”
Monteiro, que trabalhou no governo paulista durante as primeiras 15 concessões rodoviárias, prevê que, de início, pode haver alguma resistência entre usuários que nunca pagaram pedágio e agora passarão a pagar. “O entendimento do pedágio como benefício para a sociedade leva tempo. A pessoa paga conta de energia, água, saneamento, mas, como para a rodovia não existia essa conta, ele resiste, mas vamos mostrar os benefícios para essa população: estradas sem buracos, com acostamento, roçagem, sinalização, guincho de graça, ambulâncias, viaturas de apoio. A rodovia com qualidade resolve isso. Onde a gente tem pedágio há 10 ou 15 anos, não tem esse problema.”
Por ser uma tecnologia nova, o pedágio free flow também acarreta um índice de evasão um pouco maior no período inicial de funcionamento. De acordo com Monteiro, nos locais onde o sistema já opera há algum tempo, a inadimplência está em patamares aceitáveis.
Obras antigas serão concluídas
Nos dois primeiros anos da concessão, os investimentos vão se concentrar na melhoria das rodovias que eram administradas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Obras maiores que estavam em andamento com a Viaoeste, empresa do mesmo grupo da nova concessionária que terá a concessão encerrada, serão concluídas. É o caso das pistas marginais e da Ponte Guilherme de Almeida, na Castello, região de Barueri, que devem ser entregues em dezembro de 2026.
A duplicação da Raposo Tavares entre Vargem Grande Paulista e São Roque e de Mairinque a Sorocaba, que também são realizadas pela Viaoeste, deve ser finalizada até o final de 2026, mas haverá entrega antecipada de trechos a partir de junho deste ano.
A Sorocabana vai assumir as obras da duplicação da Bunjiro Nakao, entre Vargem Grande Paulista e Ibiúna, que estavam a cargo do DER. Já o Contorno de Juquiá, dando acesso à rodovia Régis Bittencourt (BR-116), estará entre as primeiras novas obras, segundo Monteiro.
Veja as principais obras e onde ficarão os pedágios:
- Rodovia Castello Branco (SP-280):
25,6 km de faixas adicionais entre o km 54,1 (Araçariguama) e o km 68,7 em Itu;
Construção de viaduto no km 61,2, em São Roque;
Pedágios: P1 km 59,9 em São Roque; P2 km 74,9, em Itu.
- Rodovia Raposo Tavares (SP-270):
40 km de faixas adicionais em pista dupla;
24,8 km de pistas marginais entre Sorocaba e Araçoiaba da Serra;
17 alargamentos de pontes e viadutos;
Pedágios: P23 km 39 em Cotia, P6 km 47,6 e P7 km 58,1 em São Roque, P8 km 72,3 em Mairinque, P9 km 86, P10 km 95,1 e P11 km 101,3, em Sorocaba, P12 km 111,8, em Araçoiaba da Serra.
- Rodovia José Ermírio de Moraes (Castelinho)
1,7 km de pista marginal;
15,7 km de faixas adicionais;
Pedágio: P3, no km 12,5, em Itu, e P5, no km 3,23, em Sorocaba.
- Rodovia Celso Charuri (SPI 090/270)
Pedágio: P4 km 4,1, em Sorocaba.
- Rodovias Bunjiro Nakao e extensões (SP-250)
10 km de duplicação entre Vargem Grande Paulista e Ibiúna;
27,48 km de duplicação entre Ibiúna e Piedade;
3,35 km de duplicação da Av. Antonio Falci, em Ibiúna;
9 novas passarelas;
Pedágio: P18, em Piedade; P19, em São Miguel Arcanjo; P20 em Ibiúna e P21 em Piedade.
- Rodovia Santos Dumont e extensões (SP-079)
24,1 km de duplicação, de Sorocaba (km 97) a Piedade (km 121,7);
10 km de nova pista simples no Contorno de Juquiá;
30 km de faixas adicionais com acostamentos na Serra da Cabeça da Anta, entre Tapiraí e Juquiá, Serão construídas duas rampas de escape em trechos íngremes;
7 pontes e viadutos;
63 km de acostamentos;
Pedágios: P13 em Votorantim, P14 em Piedade e P15 em Juquiá.
- Rodovia Francisco José Ayub (SP-264)
4,2 km de duplicação (do km 119,2 ao 123,4) em Salto de Pirapora;
7,87 km de pistas marginais;
Pedágio: P16 e P17 em Salto de Pirapora.
- Rodovia Lívio Tagliassachi (SPA-053/280)
1,3 km de contorno em São Roque;
Nova conexão à rodovia Castello Branco;
Pedágio: P-22 em São Roque.
- Rodovia João Baeza Urchiza (SPA-103/079)
2,5 km de duplicação em Votorantim.
Fonte: Estadão