Contratações crescem, mas baixa presença operacional expõe desafio estrutural de mão de obra
Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres indicam que a participação feminina no transporte rodoviário de cargas (TRC) cresce no Brasil. As mulheres já representam mais de 7% dos condutores no país — ainda uma fatia pequena, mas em expansão.
O avanço aparece também no Índice de Equidade no TRC 2026, elaborado pelo IPTC para o movimento Vez e Voz, que atingiu 46 pontos em uma escala de 0 a 100. O indicador sugere evolução gradual, mas ainda distante de um cenário de equilíbrio.
Segundo o levantamento, 60% das empresas ampliaram a contratação de mulheres para cargos de liderança no último ano, enquanto 88% registraram promoções ou aumentos salariais. Apesar disso, a presença feminina em funções operacionais — especialmente na condução de veículos — segue limitada.
“Vivemos um ponto de inflexão importante, com mulheres conquistando espaços antes pouco acessados”, afirma Camila Florencio, coordenadora do movimento Vez & Voz, iniciativa do SETCESP.
O estudo, que ouviu 83 empresas e mais de 35 mil trabalhadores, aponta entraves estruturais à ampliação da participação feminina, como ausência de políticas de apoio à parentalidade, dificuldades de reintegração após licença-maternidade e lacunas em programas de prevenção ao assédio.
“Organizações que investem em equidade têm mais chances de melhorar desempenho e engajamento”, afirma Camila.
Fonte: Agência Transporte Moderno