Em 12 meses, alta foi de 4,64%, acima do teto da meta do BC, ante taxa de 4,37% até abril, segundo o IBGE; maiores impactos vieram dos preços da energia elétrica e da carne
RIO – Os preços dos combustíveis deram trégua na prévia da inflação de maio, mas o orçamento das famílias ainda sofreu pressão do encarecimento dos alimentos, da energia elétrica e dos gastos com saúde. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) desacelerou de um avanço de 0,89% em abril para alta de 0,62% em maio, informou nesta quarta-feira, 27, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar do arrefecimento, a taxa foi a mais elevada para o mês em uma década. O resultado ficou acima da estimativa dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam uma alta mediana de 0,56%.
Como consequência, a inflação acumulada em 12 meses acelerou pelo segundo mês seguido, subindo a 4,64% em maio (ante taxa de 4,37% até abril), rompendo assim o teto (de 4,5%) da meta de inflação de 3,0% perseguida pelo Banco Central.
Economista sênior da 4intelligence, Fábio Romão revisou sua projeção para o IPCA do mês fechado de maio, de 0,44% para 0,60%. A previsão para o ano de 2026 também subiu: de 5,2% para 5,4%.
“São muito relevantes os desdobramentos do conflito EUA-Irã na precificação de enorme cadeia de bens e serviços, destacadamente na Alimentação no domicílio e em Serviços — com destaque para os efeitos vindouros dos fortes reajustes do querosene de aviação, bem como da ocorrência do fenômeno El Niño”, justificou Romão, em relatório.
Em maio, apenas três dos nove grupos de produtos e serviços que integram o IPCA-15 responderam por 95% de toda a inflação: Alimentação e bebidas, alta de 1,38%; Habitação, 1,03%; e Saúde e cuidados pessoais, 1,05%.
Em habitação, subiu 2,16% a energia elétrica residencial, item de maior pressão individual sobre a inflação do mês, contribuição de 0,09 ponto porcentual. Houve tanto impacto da mudança na bandeira tarifária quanto de reajuste em concessionárias de Fortaleza, Salvador e Recife.
“Em maio, passou a vigorar a bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$1,885 a cada 100kWh consumidos”, lembrou o IBGE.
O gasto das famílias brasileiras com a alimentação para consumo no domicílio subiu pelo quinto mês consecutivo em maio, uma alta de 1,73%. Houve reajustes na batata-inglesa (26,29%), tomate (12,97%), leite longa-vida (6,07%) e carnes (1,98%). Na direção oposta, ficaram mais baratos a maçã (-2,32%) e o café moído (-2,09%).
Fonte: Estadão