Encontro promovido pelo SINDICAMP apresentou soluções em inteligência artificial, segurança viária, telemetria e gestão de riscos, destacando tendências para o setor em 2027
A evolução tecnológica e seus impactos sobre a segurança, a produtividade e a competitividade das transportadoras estiveram no centro das discussões da quinta edição do Programa Inovação, Estratégia e Gestão Empresarial, promovido pelo Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas de Campinas e Região (SINDICAMP) na última sexta-feira (23), na sede da entidade em Campinas. Com o tema “Transporte em Evolução”, o encontro reuniu especialistas e representantes do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) para apresentar soluções que já estão transformando as operações e perspectivas para os próximos anos.
A programação abordou diferentes frentes da inovação, desde a utilização da inteligência artificial na gestão logística até o monitoramento de viagens, a prevenção de acidentes, a eficiência no consumo de combustível e as mudanças no mercado de seguros. A proposta foi aproximar os empresários de tecnologias e estratégias que possam contribuir para operações mais eficientes, seguras e preparadas para os desafios do setor.

Na abertura, a presidente do SINDICAMP, Rafaela Cozar, destacou os desafios enfrentados pelas transportadoras ao longo de 2026, especialmente diante das mudanças regulatórias e das exigências relacionadas à operação.
“Foi um ano muito desafiador para o Transporte Rodoviário de Cargas, principalmente por conta de todas essas demandas legislativas e de regulação. Nós só conseguiremos ir em frente se tivermos disposição, energia, paixão pelo que faz, mas também o apoio da inovação e da tecnologia. Precisamos estar conectados, preparados e ter as ferramentas certas para nos ajudar”, afirmou.

A primeira apresentação ficou a cargo de Wagner Fonseca, consultor técnico veicular, que representou o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) na demonstração do DDS 6.0, uma plataforma desenvolvida para modernizar os Diálogos Diários de Segurança realizados nas empresas.
Segundo Wagner, a proposta é tornar as orientações de segurança mais efetivas e permitir que as empresas identifiquem se os conteúdos foram compreendidos pelos colaboradores.
“O DDS é uma atividade semanal que se faz nas empresas, principalmente com foco na segurança. O que a gente nota é que essa fala da manhã perde um pouco o sentido, porque muitas vezes é feita rapidamente ou não recebe a importância necessária. Então, o Observatório desenvolveu 52 vídeos e um sistema que permite acompanhar se o motorista assistiu ao conteúdo e se entendeu o que foi apresentado”, explicou.

Na sequência, Vinicius da Silva, diretor comercial da SIIMP Sistemas, abordou a aplicação da inteligência artificial na gestão das transportadoras, apresentando funcionalidades de um sistema de gerenciamento de transporte (TMS) desenvolvido para automatizar atividades operacionais e reduzir a dependência de processos manuais.
Vinicius destacou que a inteligência artificial já está presente nas operações e que as empresas precisam compreender suas possibilidades para não perder competitividade. Em um dos projetos-piloto apresentados, a empresa identificou redução de 95% no tempo de preenchimento de determinadas operações, com processos que passaram a ser executados em aproximadamente 30 segundos por CT-e.
“A inteligência artificial não é futuro, ela já é presente. A gente tem que entender como ela funciona, porque, enquanto algumas empresas ainda estão avaliando essa possibilidade, outras já estão utilizando essas ferramentas para melhorar seus processos e realizar auditorias de forma mais constante”, afirmou.

A programação prosseguiu com Ivoney Ferreira, head de Operações da Skymark, que abordou os desafios relacionados à disponibilidade de motoristas profissionais e à necessidade de aprimorar os processos de análise cadastral e acompanhamento das viagens. Segundo os dados apresentados pelo especialista, o Brasil enfrenta um déficit estimado de 11% de motoristas de caminhão, enquanto mais da metade das empresas pesquisadas relata dificuldades de contratação. O cenário amplia a pressão por agilidade nas operações, mas também exige atenção aos procedimentos de segurança.
Nesse contexto, Ivoney demonstrou ferramentas de monitoramento por smartphone, que permitem acompanhar deslocamentos e velocidades mesmo em veículos sem tecnologia embarcada, além de soluções para o gerenciamento de dispositivos de rastreamento complementares.
“A gente não pode transformar a pressa de ter motoristas em uma situação que comprometa a qualidade do profissional. Muitas vezes precisamos entregar, precisamos estar na ponta, mas será que sabemos quem é o motorista que estamos colocando no caminhão e que está levando a marca da nossa empresa?”, questionou.

Na sequência, Marcelo Carraro, diretor de Relacionamento da Carraro Corretora de Seguros, apresentou as transformações do mercado segurador e a importância de uma gestão de riscos cada vez mais integrada às operações das transportadoras.
O especialista destacou a obrigatoriedade dos seguros no Transporte Rodoviário de Cargas, conforme a Lei nº 14.599/2023. Marcelo apresentou as particularidades das coberturas de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C), Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga (RC-DC) e Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V), reforçando a importância de as empresas compreenderem os riscos protegidos por cada modalidade.
O palestrante também reforçou a necessidade de investir na capacitação dos motoristas e em práticas preventivas, ressaltando que a modernização dos veículos deve ser acompanhada pelo desenvolvimento dos profissionais responsáveis pela operação.
“Não adianta ter a melhor máquina, o melhor caminhão, e não investir no profissional que está ali. Tem que ter investimento. Quando a empresa investe em segurança, ela está investindo em produtividade e, principalmente, na preservação de vidas”, ressaltou.

Representando a IVECO/Mercalf, Alexandre Capelli, engenheiro de Vendas da IVECO, apresentou soluções voltadas à eficiência energética e à utilização de dados para melhorar o desempenho dos veículos comerciais.
O especialista apresentou a IVECO SEU, uma tecnologia desenvolvida no Brasil que permite personalizar o gerenciamento eletrônico do conjunto propulsor dos caminhões S-Way de acordo com as características de cada operação. A partir dessas informações, são realizados ajustes de software que podem ser implementados remotamente, sem a necessidade de deslocar o veículo até uma concessionária. A proposta é otimizar o desempenho do caminhão e contribuir para a redução dos custos operacionais.
Capelli explicou que a análise considera um período de aproximadamente 30 dias de operação, permitindo identificar as particularidades de cada transportadora antes de definir os ajustes mais adequados.
“Nós olhamos para a operação de cada cliente individualmente para tomar a melhor decisão. A ferramenta permite personalizar o desempenho do veículo para as particularidades daquela operação, utilizando dados reais. O resultado que buscamos é mais economia e mais rentabilidade para o transportador”, explicou.

Encerrando a sequência de apresentações, Cileneu Nunes, CEO da Aioti Tecnologia, abordou a utilização da telemetria inteligente por celular como ferramenta para prevenir acidentes e incentivar mudanças no comportamento dos motoristas.
O especialista apresentou o SafePilot, plataforma que utiliza os sensores do smartphone para identificar comportamentos de risco durante a condução, como acelerações e freadas bruscas, curvas acentuadas, excesso de velocidade e uso do celular ao volante. A tecnologia dispensa a instalação de equipamentos nos veículos e pode ser aplicada em diferentes tipos de frota.
Como exemplo prático, Cileneu apresentou resultados da aplicação da tecnologia no Programa Motorista Série A, do SEST SENAT, com o acompanhamento de 692 motoristas profissionais. Segundo o especialista, os resultados demonstraram uma evolução no comportamento dos participantes, especialmente em relação ao excesso de velocidade e ao uso do celular durante a condução.
“A ideia é unir psicologia à tecnologia. O motorista faz a viagem, recebe o feedback, analisa onde cometeu algum comportamento de risco e pode melhorar. Ao mesmo tempo, a empresa utiliza essas informações para criar campanhas de reconhecimento e treinamento. Assim, o próprio motorista passa a ser responsável pela sua evolução”, explicou.
As apresentações destacaram a inovação no Transporte Rodoviário de Cargas como motor para diferentes dimensões da gestão empresarial. Da automação de tarefas administrativas à modernização dos veículos, passando pelo monitoramento das operações e pela prevenção de riscos, as tecnologias apresentadas demonstraram possibilidades de aprimoramento da produtividade, da segurança e do controle operacional.
Fonte: SINDICAMP