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Fiscalização da NR-1 acende alerta para a saúde mental nas empresas de transporte

Entidades do setor reforçam a importância de ambientes mais seguros, humanos e produtivos

A fiscalização da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a incluir os riscos psicossociais entre as obrigações de gestão de segurança e saúde no trabalho, começou a valer no dia 26 de maio e acende um alerta para empresas de diferentes setores da economia, incluindo o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). A partir da atualização, empregadores devem identificar, avaliar e gerenciar fatores relacionados à organização do trabalho que possam impactar a saúde mental dos trabalhadores.

Entre os riscos psicossociais que devem ser observados estão metas excessivas, jornadas extensas, ausência de suporte, conflitos interpessoais, assédio moral, falta de autonomia e sobrecarga de trabalho. Esses fatores, quando não acompanhados de forma adequada, podem contribuir para quadros de ansiedade, depressão, estresse ocupacional e outros agravos à saúde dos profissionais.

De acordo com orientações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os riscos psicossociais passam a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, isso significa que as empresas devem ir além da documentação formal e demonstrar medidas efetivas de prevenção, acompanhamento e melhoria das condições de trabalho.

No Transporte Rodoviário de Cargas, o tema ganha ainda mais relevância diante das características da atividade, que envolve prazos rigorosos, longas jornadas, pressão operacional, responsabilidades com a segurança viária e desafios relacionados à rotina de motoristas, equipes administrativas e gestores. Para o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Campinas e Região (SINDICAMP), a atualização da norma reforça a necessidade de uma gestão mais preventiva e integrada da saúde ocupacional nas transportadoras.

Segundo a presidente do SINDICAMP, Rafaela Cozar, a saúde mental precisa ser tratada como uma pauta estratégica dentro das empresas, especialmente em um setor essencial para a economia e que depende diretamente do equilíbrio, da segurança e da produtividade de seus profissionais.

“A NR-1 traz uma mudança importante de visão. As empresas precisam compreender que saúde mental não é um tema isolado, mas parte da gestão de riscos, da segurança do trabalho e da própria sustentabilidade do negócio. No transporte de cargas, cuidar das pessoas também significa cuidar da operação, da segurança nas estradas e da qualidade dos serviços prestados”, afirma a executiva.

A nova exigência também reforça a importância de as empresas manterem documentos atualizados, realizarem o mapeamento dos riscos ocupacionais, promoverem treinamentos, adotarem canais de escuta e desenvolverem ações concretas para prevenir ambientes de trabalho nocivos. Mais do que atender à fiscalização, a adaptação à NR-1 deve ser vista como uma oportunidade para fortalecer a cultura organizacional e melhorar as relações de trabalho.

Para Rafaela, o principal desafio será transformar a adequação normativa em prática cotidiana. Segundo ela, empresas que ainda tratam saúde mental apenas de forma reativa precisarão avançar para uma postura mais preventiva, com envolvimento das lideranças e participação ativa das equipes.

“O grande ponto é sair do discurso e construir ações reais. Não basta identificar o risco no papel. É preciso avaliar como a empresa organiza suas rotinas, como conduz suas equipes, como lida com pressão, metas, conflitos e jornadas. Esse processo exige maturidade, escuta e compromisso da liderança”, reforça.

A presidente também destaca que entidades de classe têm papel fundamental na orientação das empresas durante esse período de adaptação. O SINDICAMP tem acompanhado as atualizações relacionadas à NR-1 e reforçado a importância de que as transportadoras busquem apoio técnico especializado para compreender as exigências, revisar seus processos internos e implementar medidas adequadas à realidade de cada operação.

“A nossa missão é levar informação qualificada aos associados e contribuir para que as empresas estejam preparadas. A legislação traz novas responsabilidades, mas também abre espaço para uma gestão mais humana, segura e eficiente. Quando a empresa cuida da saúde mental dos trabalhadores, ela reduz riscos, melhora o ambiente interno e fortalece sua competitividade”, pontua Rafaela.

Com o início da fiscalização, o SINDICAMP orienta as empresas do setor a verificarem seus programas de saúde e segurança no trabalho, revisarem o mapeamento de riscos, avaliarem possíveis fatores psicossociais presentes na rotina operacional e adotarem medidas preventivas de forma estruturada.

Para o sindicato, a atualização da NR-1 representa um avanço importante na proteção dos trabalhadores e reforça uma agenda que deve ganhar cada vez mais espaço no setor de transporte: a construção de ambientes de trabalho mais seguros, equilibrados e preparados para os desafios atuais.

“Cuidar da saúde mental é cuidar do futuro das empresas. O transporte rodoviário de cargas depende de pessoas preparadas, saudáveis e valorizadas. Essa pauta precisa estar no centro da gestão, não apenas por uma exigência legal, mas porque ela impacta diretamente a segurança, a produtividade e a continuidade do setor”, conclui Rafaela Cozar.

Fonte: Segs

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