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Transporte de produtos perigosos necessita de mais infraestrutura e integração regulatória

Encontro com representantes do setor ocorreu na Câmara Internacional de Logística e Transportes (CIT), no último dia 27
A Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) participou, na última quarta-feira (27), da Câmara Internacional de Logística e Transportes (CIT), um dos principais fóruns de discussão do transporte rodoviário de cargas no país.

O encontro reuniu representantes do setor produtivo, especialistas e lideranças ligadas à regulação, fiscalização e desenvolvimento da infraestrutura logística brasileira para debater os principais desafios operacionais e estruturais do transporte nacional.

Durante a participação da entidade, o presidente da ABTLP, Oswaldo Caixeta, apresentou um panorama do transporte de produtos perigosos no Brasil, destacando o nível de exigência regulatória do segmento, os investimentos realizados pelas empresas em segurança operacional, os impactos da infraestrutura rodoviária sobre a eficiência e a redução de riscos nas operações.

Dados apresentados pela entidade mostram que o setor reúne mais de 49 mil transportadores registrados no RNTRC e opera sob um ambiente com cerca de 390 instrumentos legais federais relacionados à atividade.

Segundo Caixeta, o transporte de produtos perigosos está entre os segmentos mais fiscalizados e tecnicamente exigidos do país, demandando investimentos contínuos em rastreabilidade, monitoramento, gestão de risco, capacitação de motoristas e conformidade regulatória. “As empresas convivem diariamente com exigências relacionadas à rastreabilidade, gestão de riscos, certificações específicas, monitoramento operacional e treinamento permanente das equipes. A ABTLP entende que esse rigor é necessário diante da complexidade das operações”, explicou.

A apresentação também abordou os impactos da infraestrutura logística sobre a segurança operacional do setor. Para a entidade, problemas relacionados à conservação das rodovias, sinalização inadequada, ausência de áreas seguras de parada e limitações estruturais aumentam diretamente o risco das operações e os custos do transporte especializado.

Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostram que, apesar da melhora recente da malha viária brasileira, os desafios ainda permanecem relevantes: 43% dos trechos avaliados foram classificados como regulares e 19,1% como ruins ou péssimos, além de 2.144 pontos críticos identificados nas estradas brasileiras.

“Rodovias em más condições, sinalização inadequada, falta de áreas seguras de parada e deficiência logística aumentam significativamente os riscos das operações. O transportador faz sua parte, investe em tecnologia, treinamento e gestão de risco, mas a segurança não depende apenas dele”, destacou Caixeta.

Outro ponto reforçado pela ABTLP durante o encontro foi a importância da corresponsabilidade entre setor privado e poder público para garantir operações mais seguras. A entidade defende que o avanço da segurança operacional depende não apenas do investimento das transportadoras, mas também da ampliação dos investimentos públicos em infraestrutura, fiscalização técnica, planejamento logístico e modernização regulatória.

Para a associação, a participação na CIT fortalece a aproximação entre empresas, entidades representativas e órgãos públicos, ampliando o debate técnico sobre prevenção de riscos, integração logística e desenvolvimento estrutural do transporte de cargas no Brasil.

Fonte: Estradas.com.br

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