O setor que reúne fabricantes instalados no Brasil de pneus deve se reunir nesta quarta-feira com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, para cobrar medidas de defesa comercial diante do que considera concorrência desleal gerada por produtos importados.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Pneumáticos (Anip), os fabricantes nacionais registraram em abril o menor patamar histórico de participação nas vendas de pneus no mercado brasileiro, 31%. Em 2019, segundo a entidade, a fatia era de 69%.
“Como temos alertado, tem pneu importado chegando ao país com preço inferior ao custo da matéria-prima no mercado internacional”, disse em comunicado à imprensa o presidente da Anip, Rodrigo Navarro, citando que o crescimento da participação dos importados deve-se a “práticas desleais como dumping e não cumprimento de regras ambientais”.
Nos quatro primeiros meses de 2026, as vendas de pneus nacionais recuaram 5,8%, segundo a entidade. No período foram comercializadas 11,9 milhões de unidades, 700 mil pneus a menos que no mesmo período de 2025.
Isso apesar das vendas de veículos novos no Brasil no primeiro quadrimestre terem crescido 5% sobre um ano antes, impulsionadas em parte por expansão de 12% nos licenciamentos de importados, de acordo com dados da associação de fabricantes de veículos, Anfavea.
Segundo a Anip, a queda nas vendas de pneus novos no Brasil de janeiro a abril foi mais acentuada no segmento de reposição, alvo dos importadores, com recuo de 7,9%.
O setor defende aumento da tarifa de importação de pneus de passeio de 25% para 35%. “Queremos que o Brasil adote medidas de proteção como fizeram os EUA, o México e países da União Europeia”, disse Navarro.
Além disso, os fabricantes de pneus nacionais cobram uma fiscalização mais intensa do cumprimento de regras de proteção ambiental por parte dos importadores. A entidade citou dados do Ibama que apontam para um passivo de 500 mil toneladas de pneus não recolhidos para descarte correto nos últimos 15 anos por parte dos importadores.
O setor no Brasil é formado por 11 fabricantes (Bridgestone, Continental, Dunlop, Goodyear, Maggion, Michelin, Pirelli, Prometeon, Rinaldi, Titan e Tortuga), com 19 fábricas em sete estados, empregando diretamente 35 mil trabalhadores.
O QUE OS IMPORTADORES DIZEM
A Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip) afirmou que vê com preocupação o pleito dos fabricantes para um novo aumento do imposto, que de isento passou a 16% em 2024 e para 25% em 2025. A defesa do setor é pela redução do tributo para o nível de 2024.
“A proposta (dos fabricantes de pneus) ignora a realidade do mercado ao atingir produtos que sequer são produzidos no Brasil”, disse Ricardo Alípio, presidente da Abidip, em comunicado, se referindo a pneus de aros 13 e 14. “Nesse caso, não há proteção à indústria nacional, mas sim restrição de oferta e aumento direto de custo ao consumidor”, acrescentou.
De acordo com a Abidip, grande parte do mercado de reposição, especialmente voltado a veículos com mais de cinco ou dez anos de uso — que representam parcela significativa da frota brasileira — depende de medidas atendidas pelos importadores.
“A elevação sucessiva de tarifas não pode substituir a necessidade de ganhos de eficiência”, disse Alípio, comentando ainda que os importadores já têm enfrentado custos maiores pelos impactos da guerra no Oriente Médio na logística internacional.
“A combinação de aumento tarifário com pressões geopolíticas cria um efeito cumulativo de custos, que inevitavelmente será repassado ao consumidor final”, disse o presidente da Abidip.
Fonte: UOL