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Inflação acelera em março, puxada por impacto da guerra nos combustíveis

A inflação ganhou força e foi de 0,88% em março, após alta de 0,7% em fevereiro, mostram dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A aceleração reflete os primeiros efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), com o aumento do preço dos combustíveis.

Como foi o IPCA
Inflação de março foi a maior para o mês desde 2022 (1,62%). A alta de 0,88% representa uma aceleração do IPCA em relação à variação de 0,7% registrada em fevereiro e fica acima das expectativas, que apontavam alta de 0,77% do índice. No mesmo mês do ano passado, a inflação oficial do Brasil foi de 0,56%. No acumulado do primeiro trimestre, o IPCA alcança 1,92%.

Guerra no Oriente Médio deixa os combustíveis 4,47% mais caros. A variação foi puxada pelos aumentos dos preços do óleo diesel (13,9%), da gasolina (4,59%) e do etanol (0,93%). As altas são motivadas pela disparada do preço do petróleo com bloqueio do Estreito de Hormuz, rota de escoamento de 20% do combustível, em meio aos ataques na região.

“Em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas no cenário internacional”, Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.

Combustíveis guiaram a alta de 1,64% do grupo de transportes em março. Além da gasolina como principal impacto individual para a inflação do mês, também contribuíram para o desempenho os aumentos de preços das passagens aéreas (6,08%) e das tarifas de ônibus urbano (1,17%).

IPCA acumulado nos últimos 12 meses volta a superar 4%. O índice oficial de preços subiu 4,14% entre abril do ano passado e março deste ano. A variação interrompe o arrefecimento observado em fevereiro, quando a taxa anual ficou abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. No ano passado, a variação para os 12 meses encerrados em março foi de 5,48%.

Incerteza ocasionada pela guerra preocupa o BC (Banco Central). No início desta semana, o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, disse que a imprevisibilidade sobre duração do conflito no Oriente Médio exige “cautela” para o corte dos juros. Ele avalia que a espera pela normalização da oferta de petróleo afeta “preços, produção e crescimento econômico”.

Alimentos
Inflação do grupo de alimentação e bebidas é a maior desde abril de 2022 (2,59%). A alta de 1,56% representa uma forte aceleração em relação ao aumento de 0,26% dos produtos alimentícios registrado em fevereiro.

Tomate (20,31%), cebola (17,25%) e da batata-inglesa (12,17%) lideram as altas. Também subiram os preços do leite longa vida (11,74%) e das carnes (1,73%). Entre as quedas, os destaques ficam por conta da maçã (-5,79%) e o café moído (-1,28%).

Custo da alimentação fora de domicílio subiu 0,61% no mês passado. O aumento foi influenciado pelo preço mais elevado dos lanches (0,89%) e das refeições (0,49%).

Preço dos combustíveis contribui para a inflação dos alimentos. Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, explica que a variação de preço do grupo em março combina “efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros”.

Veja a variação de cada grupo:

  • Transportes: +1,64%
  • Alimentação: +1,56%
  • Despesas pessoais: +0,65%
  • Artigos de residência: +0,51%
  • Vestuário: +0,46%
  • Saúde e cuidados pessoais: +0,42%
  • Habitação: +0,22%
  • Comunicação: +0,19%
  • Educação: +0,02%

O que é o IPCA
Inflação oficial é calculada a partir de 377 produtos e serviços. A escolha dos itens tem como base o consumo das famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. O cálculo final considera um peso específico para cada um dos itens analisados pelo indicador.

IPCA abrange a evolução dos preços em nove grandes grupos. As análises consideram as variações apresentadas por itens das áreas de alimentação e bebidas, artigos residenciais, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário.

Análise mensal é realizada nos grandes centros urbanos do Brasil. Para isso, o IBGE realiza as coletas de preços nas regiões metropolitanas de Belém (PA), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e do Distrito Federal. Também há pesquisadores nos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

Fonte: UOL

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