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Vendas de carros novos perdem fôlego em outubro.

Sem confirmar a reação esperada pela indústria, as vendas de carros caíram para o ritmo mais fraco em oito meses na média diária de emplacamentos e caminham para fechar outubro abaixo dos volumes de igual período de 2012, aprofundando a queda no resultado acumulado deste ano.
A recuperação aguardada pelo setor para salvar 2013 e garantir novo recorde nos licenciamentos ficou para o último bimestre, quando as montadoras jogam as fichas na injeção de recursos do décimo terceiro salário na economia, assim como na antecipação de compras diante da possibilidade de retirada dos descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a partir de janeiro. O governo, contudo, já sinalizou que manterá as alíquotas do tributo reduzidas no primeiro trimestre de 2014, o que poderá esvaziar a corrida às concessionárias.
Números preliminares mostram que as vendas por dia útil, que ficaram na faixa de 14 mil a 15 mil carros nos últimos seis meses, recuaram para cerca de 13 mil unidades em outubro. Até terça-feira, os emplacamentos de automóveis e utilitários leves – sem incluir, portanto, caminhões e ônibus – somavam quase 271 mil unidades, 8% abaixo de setembro.
Mas como outubro tem dois dias úteis a mais de venda, a tendência é que, ao se somar os licenciamentos de ontem e hoje, o mês inverta a tendência negativa e feche um pouco acima de setembro. As previsões de analistas, levando-se em conta uma aceleração das vendas nesses dois últimos dias, vão de 300 mil a 305 mil carros emplacados, com um crescimento de 2% a 4% ante o mês imediatamente anterior. Porém, na comparação com o mesmo período de 2012, que foi o oitavo melhor resultado da indústria automobilística na histórica, a queda neste mês deve ficar entre 6% e 8%, conforme projetam especialistas com base em números coletados às vésperas do encerramento de outubro.
Dessa forma, o recuo das vendas no acumulado desde janeiro se acentua de 1% para algo ao redor de 1,5% a 1,7%, somando aproximadamente 2,95 milhões de carros licenciados nos dez primeiros meses. Isso coloca ainda mais em risco as metas traçadas por montadoras e revendas de um crescimento de pelo menos 1% do mercado neste ano. Para se chegar a esse número, as vendas terão que evoluir a um ritmo diário de 17,8 mil carros até dezembro, enquanto os emplacamentos deste mês ficaram apenas um pouco acima de 13 mil unidades diárias. Ritmo tão baixo não se registrava desde fevereiro, quando o mercado girava 12,4 mil carros a cada dia útil.
Até maio, as vendas subiam quase 9%, mas perderam fôlego quando passaram a ser comparadas a alguns dos melhores resultados da história, como junho, julho, agosto e mesmo outubro de 2012. Ou seja, o mercado paga a conta da antecipação de compras nesses meses, marcados pela corrida dos consumidores às lojas para aproveitar descontos no IPI que chegavam a zerar o imposto de carros populares. Além disso, analistas e executivos desse setor dizem que o desempenho vem sendo prejudicado pela seletividade nas liberações de crédito e a menor propensão ao consumo, como reflexo do comprometimento de renda e da queda na confiança da população.
Agora, a indústria joga as fichas numa nova corrida às lojas em dezembro para evitar a primeira queda nas vendas de veículos em dez anos e também reduzir os níveis críticos dos estoques. O problema é que as recentes declarações do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, indicando a manutenção dos descontos no IPI pelo menos até março podem reduzir o interesse na antecipação de compras, dizem analistas.
“Se o ministro não tivesse aberto a boca, poderia haver uma disparada das vendas agora”, diz Raphael Galante, da consultoria Oikonomia, acrescentando que, mantendo-se a cadência normal de vendas, a tendência é que o mercado feche o ano com queda de 2% nos licenciamentos de veículos leves. Julian Semple, consultor da Carcon Automotive, diz que não é interessante para as montadoras que o governo defina logo a situação do IPI. “É melhor ter uma venda agora do que daqui a quatro meses”, afirma.
Fonte: Valor Econômico.

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