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Rota no Triângulo Mineiro deve gerar disputa.

O governo federal licita hoje o lote de rodovias composto por trechos da BR-060, da BR-153 e da BR-262. O pacote atraiu as atenções de cinco grupos especializados – Triunfo Participações e Investimentos, Queiroz Galvão, Invepar, CCR e EcoRodovias – graças, principalmente, à forte movimentação de veículos na região de Brasília, Goiânia, Triângulo Mineiro e Belo Horizonte atualmente.
Segundo Paulo Resende, especialista em infraestrutura da Fundação Dom Cabral, o lote está localizado em meio a regiões de grande importância logística. “De um lado, a rodovia chega a Belo Horizonte, mais próxima à porta oceânica. De outro, entra no Centro-Oeste brasileiro, passando por cidades riquíssimas no Triângulo Mineiro”, diz.
Contribui para a atratividade da região o fato de ela contar com forte demanda de automóveis, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Além disso, atrairá veículos pesados que transportam nas rodovias produtos de alto valor agregado, como eletroeletrônicos. Esse trajeto é feito tanto a partir de São Paulo como da região de Belo Horizonte – na direção até Goiânia e Brasília. Já há atualmente a operação de grandes redes atacadistas na região. No caminho inverso, trafegando na estrada a partir de Goiânia, há atualmente procura por transporte de produtos farmacêuticos, diz Resende.
Além de produtos industrializados, diz o professor, o lote pode atrair no futuro veículos pesados oriundos da região Centro-Oeste, que transportam commodities agrícolas – principalmente soja e milho. Isso porque o trecho poderia servir de “atalho” para o escoamento de grãos até a costa brasileira por meio da BR-262, em uma espécie de linha reta até o litoral do Espírito Santo.
Mas, nesse caso, o potencial da criação de um novo corredor de exportação ainda é incerto, já que depende de dois empreendimentos alheios à vontade do concessionário: a continuação da BR-262 até o litoral, uma concessão que não atraiu interessados quando foi oferecida pelo governo há pouco mais de dois meses; e os terminais portuários no Espírito Santo.
Apesar do número robusto de movimentação de veículos e de o projeto não ter grandes dificuldades de engenharia, a demanda de investimentos é significativa. Serão 647 quilômetros a serem duplicados em cinco anos (na BR-163 no MT, por exemplo, eram 453 quilômetros). Os investimentos totais em 30 anos são calculados em mais de R$ 7 bilhões pelo governo (na última disputa, eram R$ 4,6 bilhões). Além disso, algumas empresas acreditam que a região das rodovias não deve apresentar um crescimento econômico tão exuberante nos próximos anos.
De qualquer forma, o vencedor do lote licitado hoje é automaticamente um forte candidato para o leilão da BR-040, que liga Juiz de Fora a Brasília – segundo Resende. Um mesmo grupo que arrematar os dois lotes vai dominar as rodovias de Minas Gerais – que é chamado de “Estado logístico” por Resende, por ligar o Sudeste ao Nordeste e ser uma rota do Centro-Oeste ao litoral. Hoje, no entanto, o Estado é sub-utilizado.
A Triunfo Participações e Investimentos (TPI), que tem forte interesse na BR-040 e tem demonstrado um forte apetite nos últimos leilões, é vista como candidata a ficar nas primeiras posições, assim como a Invepar – que vem demonstrando força nos leilões. Além disso, se mostra confiante em arrematar o projeto desta vez a Queiroz Galvão, que ainda não levou nenhum empreendimento.
Ainda disputam as rodovias a CCR, que não tem ficado à frente nos leilões de rodovia, e o consórcio da EcoRodovias com Coimex, Rio Novo Locações, Tervap, Contek, A. Madeira e Urbesa.
Fonte: Canal do Transporte.

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