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Rota 2030 deveria endereçar os novos desafios da indústria

Após o possível anúncio da medida provisória que deverá criar oficialmente o Rota 2030, o novo programa de desenvolvimento para a indústria automotiva que consultores e fabricantes acreditam que será definido pelo governo até maio, o Brasil ainda terá muitos desafios a enfrentar se quiser tornar-se um país competitivo e um dos principais players da cadeia global de veículos. Esta foi a visão geral apresentada pelo presidente da Bright Consulting, Paulo Cardamone, em sua apresentação durante o IX Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business no WTC, em São Paulo.

Cardamone explica que a nova política industrial tem como premissa atender a necessidade do setor automotivo por maior previsibilidade, que entre outros benefícios, garante os investimentos no longo prazo, além de dar continuidade a medidas bem-sucedidas de outras políticas, como as metas de eficiência energética, por exemplo, principal legado do Inovar-Auto que obrigou essa evolução da indústria durante sua vigência, entre 2013 e 2017.

“O objetivo é garantir a produção de veículos mais eficientes e mais seguros, promover a competitividade da indústria brasileira e de seu produto, fomentando toda a cadeia produtiva por meio de incentivos, além de flexibilizar as condições para a consolidar a cadeia de autopeças”, afirma.

A importância de uma nova política industrial, no entanto, caiu por terra nos últimos meses no âmbito governamental: o debate para regulamentar o Rota 2030 parou de avançar e esbarrou no Ministério da Fazenda, que não concorda com incentivos fiscais às empresas do setor, o que atrasou o anúncio do programa e sua regulamentação.

“Colocou-se a carroça na frente dos burros”, ilustra Cardamone. “Incentivos começaram a ser discutidos antes de falar da rota tecnológica”, aponta.

Em sua apresentação, o consultor, que vem participando da elaboração do programa Rota 2030 junto ao MDIC, alerta que o Brasil necessita do programa para nortear os próximos passos da indústria nacional com o amplo objetivo de se igualar aos mercados mais desenvolvidos e às tendências globais de segurança, digitalização, mobilidade e indústria 4.0.

Contudo, no curto e médio prazo, a indústria nacional terá de equacionar “os problemas da agenda velha de forma que a nova política tem que tentar solucionar” e cita vários fatores cruciais a serem considerados ao longo de sua vigência, como as emissões de poluentes, taxação de veículos, rede de distribuição, segurança, eficiência energética, pesquisa e desenvolvimento, inspeção veicular, cadeia de suprimentos, reciclagem e conectividade, além de acordos de comércio.

BENEFÍCIOS BEM CALCULADOS

Entre os fatores, Cardamone chama de “desastre” o adiamento da inspeção veicular por tempo indeterminado. “Mas não creio que será postergada. Acredito que será retomada e discutida nos próximos meses”, avalia. Ao mesmo tempo, alerta que a reciclagem também é uma medida urgente: “Se a inspeção veicular e a reciclagem não forem implementadas, 400 mil veículos deixarão de ser incorporados no mercado até 2025”, calcula.

Itens de segurança, um dos focos de exigência do Rota 2030 para a evolução dos veículos, deverão representar importantes mudanças nas estatísticas de mortes e acidentes de trânsito no médio e longo prazo. Segundo os dados trazidos por Cardamone, a implementação de dez itens de segurança nos veículos pode trazer uma redução de R$ 48 bilhões em custos com acidentes entre 2022 e 2027, enquanto a redução de mortes pode chegar a 41 mil no período. Se o número de itens de segurança exigidos for cinco, a economia com acidentes vai a R$ 24,5 bilhões com 21 mil mortes a menos.

Para pesquisa e desenvolvimento, Cardamone alerta que “não adianta dar dinheiro às montadoras, elas não distribuem”. Mas ele concorda que “incentivo é fundamental, basta migrar para um sistema mais inteligente de processos de P&D: projetos que estão em linha com o Rota 2030 é que devem receber incentivos, o dinheiro vai para eles, seja a montadora, a empresa de autopeças ou a universidade”, pondera.

Fonte: Automotive Business.

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