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Rodoanel Leste vai tirar 25,5 mil caminhões das ruas.

 

Terceiro segmento do Rodoanel a ser liberado para o tráfego, o Trecho Leste deverá tirar das ruas do Grande ABC diariamente cerca de 48 mil veículos. Desse total, 53%, ou 25,5 mil, serão caminhões. Se todos eles fossem enfileirados, ocupariam quase 500 quilômetros – o equivalente à distância entre Santo André e o Rio de Janeiro. A primeira parte da obra, entre a Avenida Papa João XXIII, em Mauá, e a Rodovia Ayrton Senna, deverá ser entregue nas próximas semanas.

A estimativa de VDM (Volume Diário Médio) foi feita pela SPMar, empresa que está construindo a via e será responsável pela concessão da estrada. O número é equivalente à soma dos dois sentidos de circulação. O tráfego deve aumentar ainda mais com o passar do tempo. No Trecho Sul, por exemplo, circulavam em 2011 cerca de 44 mil veículos por dia. Neste ano, a média quase dobrou: passou para 87 mil. Em feriados, o tráfego chega a 120 mil. Do total, cerca de 36% dos que passam por lá são caminhões.

Especialistas ouvidos pelo Diário consideram dois tipos de benefícios que serão obtidos depois da inauguração. Para empresas do ramo de Logística, a diminuição do tempo de viagem irá gerar redução de custos. Para os moradores do Grande ABC – principalmente de Santo André, Mauá e Ribeirão Pires – a melhoria será a redução no tráfego de veículos pesados pelas vias internas. Entre as que hoje são rotas do transporte de cargas estão as avenidas dos Estados, Jacu-Pêssego, Benedita Franco da Veiga e a Rodovia Índio Tibiriçá.

“Por mais que, pelo Rodoanel, a distância seja maior, na maioria dos casos, rodovias têm fluxo contínuo. Sem paradas, a viagem é facilitada”, comenta o professor Luiz Vicente Figueira de Mello, mestre em engenharia automotiva e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Mello avalia que, após a inauguração, seja criada divisão natural entre os tipos de veículos, com tendência de que os automóveis optem pela Jacu-Pêssego e, os caminhões, pelo Rodoanel. A SPMar estima que, em horários de pico, o tempo de viagem seja reduzido em uma hora. Com isso, a viagem entre o fim do trecho de serra da Via Anchieta e a região de Guarulhos passaria a ser feita em aproximadamente meia hora.

O Trecho Leste do Rodoanel terá 43,5 quilômetros e quatro acessos: ao Trecho Sul, às rodovias Ayrton Senna e Dutra e uma saída na divisa entre Ribeirão Pires e Suzano. A via será importante pois ligará o Porto de Santos ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Em 2011, quando foram iniciadas as obras, a previsão era de que todo o Trecho Leste fosse finalizado em março deste ano. Os atrasos se deram em razão de problemas nas liberações de licenças para autorização das frentes de obras por parte de órgãos como Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) e ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

O investimento aplicado para a construção do Trecho Leste é de R$ 3,8 bilhões. A asa Norte, que irá completar o anel viário, teve obras iniciadas no ano passado. A previsão é de que o último segmento fique pronto em 2016. O segmento ligará os tramos Leste e Oeste e passará pela Rodovia Fernão Dias.

Segmento irá aumentar geração de empregos, diz empresário.

Além dos impactos positivos para a mobilidade urbana, o Trecho Leste do Rodoanel trará benefícios à economia do Grande ABC. O presidente do Setcesp (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e Região), Manoel Sousa Lima Júnior, avalia que a geração de empregos no setor de Logística será uma das principais marcas favoráveis.

“A abertura de empresas ao redor do eixo do anel viário é fatal. As companhias vão se agrupando em torno do Rodoanel. Por falta de espaço, está difícil ter um armazém para distribuição em São Paulo. Porém, todo mundo que vem de fora precisa se instalar em uma base na região metropolitana”, comenta o presidente.

Lima Júnior também exalta a redução de gastos para o setor. “É uma economia de tempo e de dinheiro. As viagens passarão a ser feitas mais rapidamente e com menos combustível a ser gasto”, acrescenta. Ainda não há estimativa de quanto o setor passará a economizar.

Para Luciano Cerqueira Almeida, diretor do Sindicato dos Cegonheiros de São Bernardo, o novo caminho reduzirá em aproximadamente meia hora o tempo de deslocamento entre o Grande ABC e a região de Guarulhos. A categoria é formada por aproximadamente 3.500 motoristas. “Tudo isso deixará de viajar por dentro das cidades. Com certeza, todos irão sair ganhando”, elogia.

Após inauguração, Mauá irá criar restrição na Jacu-Pêssego.

A Prefeitura de Mauá estuda criar restrições para o transporte de cargas na cidade após a inauguração do Trecho Leste do Rodoanel. Segundo o secretário de Mobilidade Urbana, Azor Albuquerque, os principais corredores a serem afetados pelas medidas serão as avenidas Jacu-Pêssego e Benedita Franco da Veiga. Atualmente, essas vias são utilizadas por motoristas que precisam acessar o segmento Sul do anel viário.

“Vamos criar uma lei que restringe horários e tipos de carga. Hoje passam livremente pela Jacu-Pêssego mercadorias que a gente desconhece”, comenta. “Outro trecho que vamos pegar pesado é a confluência da Estrada Sapopemba com a Benedita Franco da Veiga. Essa é uma rota alternativa dos motoristas que não querem se cadastrar e dizer o que estão transportando”, acrescenta. Ainda não há prazo para que o texto seja levado para votação na Câmara. Outra medida a ser adotada será o aumento no número de agentes de trânsito para fiscalizar o desrespeito aos horários.

Quando o Trecho Sul foi entregue, a prefeitura de São Paulo também adotou medidas semelhantes para o transporte de cargas na cidade. Vias como Marginal Pinheiros e avenidas dos Bandeirantes e Jornalista Roberto Marinho tiveram restrições.
Fonte: Fetcesp.

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