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Estado faz novos estudos e cogita a possibilidade de exclusão de pedágio na Mogi-Dutra

Em reunião com deputados, diretor da Artesp disse que o governador e o vice solicitaram estudos detalhados sobre as possibilidades de se manter ou não a praça de cobrança

O governador João Doria e o vice Rodrigo Garcia, ambos do PSDB, solicitaram que a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) refaça os estudos sobre o projeto de concessão das rodovias litorâneas, antes de chegar a uma conclusão final a respeito da implantação da praça de pedágio na rodovia Mogi-Dutra, principal via de acesso da cidade, uma proposta repudiada por toda a sociedade. Isso significa que, pela primeira vez, o Estado cogita a possibilidade de excluir o pedágio previsto para a Mogi-Dutra do projeto.

A informação foi divulgada pelo diretor da agência, Roberto Persoli, ao ser questionado sobre o projeto pelos deputados estaduais do Alto Tietê, André do Prado (PL) e Rodrigo Gambale (PSL), durante reunião virtual da Comissão de Transportes e Comunicações da Alesp, realizada na tarde desta terça-feira (14).

De acordo com o diretor, o tema foi tratado durante encontro, na semana passada, com o governador Dória e Rodrigo Garcia, “que se demonstraram sensíveis ao problema”, e determinaram a realização de uma análise mais abrangente e detalhada sobre a viabilidade do projeto.

“Está sendo feito um estudo por um grupo de trabalho para verificar todas as possibilidades do projeto com pedágio ou sem pedágio, com valores menores ou maiores, descontos maiores ou menores para usuários frequentes, descontos noturnos ou diurnos, com ou sem obra, com redução ou aumento de investimentos. Confesso que todas as possibilidades estão sendo trazidas para uma análise para que a gente possa tomar uma decisão desse porte”, esclareceu Persoli.

O diretor da agência disse que Rodrigo Garcia, principalmente, “está sendo bastante cauteloso nisso e está trazendo todas as possibilidades para que possam ser tomada as decisões corretas”.

A revisão do projeto de concessão das vias litorâneas já estava sendo realizada a partir da intervenção do Tribunal de Contas do Estado (TCE), solicitando a suspensão do edital de concessão da Artesp, a pedido da Prefeitura de Mogi, já que o município não pretende autorizar a realização das obras de mobilidade previstas no plano de concessão para compensar a instalação do pedágio.

De qualquer forma, os dois deputados do Alto Tietê aproveitaram a audiência da Comissão de Transportes para reforçar o posicionamento contra a medida. Gambale alega que, normalmente, um pedágio prevê benefícios para a estrada onde ele está sendo implantado, mas não é caso da Mogi-Dutra, que está bem conservada e não necessita de obras. Ele também citou a proximidade com outras praças, como o pedágio da rodovia Ayrton Senna, que fica na divisa entre Mogi e Itaquaquecetuba.

“Não tem sentido esse pedágio, porque a Mogi-Dutra recebeu investimentos do Estado há pouco tempo e não precisa de mais. Tudo indica que o pedágio na região é uma situação de caça-níquel porque não há necessidade de mudanças ou melhorias na estrada. Além disso, as pessoas que já pagam pedágio em Itaquá e teriam também que pagar na Mogi-Dutra, o que seria uma cobrança desproporcional e injusta. Peço mais uma vez que a Artesp tire esse pedágio do edital, senão a pressão, que já é grande, vai ser bem maior”, alerta.

Sobre isso, o diretor da Artesp destacou os investimentos previstos em obras de mobilidade na cidade, construções de acessos e canteiros na via, melhorias no atendimento aos usuários com suporte de viaturas para aumentar a segurança e o atendimento médico de emergência. Porém, admite que os recursos dos pedágios são necessários para a realização das obras previstas nas estradas litorâneas.

Prado, por sua vez, além de elencar os problemas para a economia, reforçou o posicionamento contrário das lideranças políticas, representantes de diversos setores e de toda a população que repudia a medida. “Um pedágio vai atrapalhar o desenvolvimento e a mobilidade na cidade e isso é injusto. O governo tem que ser sensível e entender que não dá para enfiar um pedágio goela abaixo da população. Uma praça de pedágio pode ser importante financeiramente para o projeto, mas a sociedade não aceita e precisa ser ouvida neste momento”, avaliou.

Persoli voltou a falar sobre a preocupação do governo com esse tema e a realização de uma nova análise para promover as adequações. Ele não informou, no entanto, quando esses estudos devem ser concluídos para que seja anunciada uma decisão final.

Outros parlamentares que participaram do evento, como Ênio Tatto (PT) e Jorge Wilson (Republicanos), também se manifestaram contra a cobrança de taxa na Mogi-Dutra. O deputado estadual de Mogi, Marcos Damásio (PL), informa que não participou da reunião da Comissão de Transportes por problemas com a agenda. Ele disse, no entanto, que continua engajado na luta contra a proposta de pedágio na estrada.

Fonte: O Diário

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