Notícias

Entenda por que Viracopos registrou a menor movimentação de cargas dos últimos três anos

O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), registrou o menor fluxo de cargas dos últimos três anos. De acordo com dados da concessionária Aeroportos Brasil, que administra a estrutura, o terminal movimentou 299,6 mil toneladas no ano passado inteiro, número mais baixo desde 2020, quando foram 262,2 mil toneladas.

O volume é referente às importações, exportações, cargas nacionais e remessas expressas. O g1 ouviu a Aeroportos Brasil para entender os motivos da redução, que, segundo a concessionária, é “um reflexo da situação dos mercados globais de transporte aéreo de carga”.

No entanto, um economista da PUC-Campinas chama atenção, além dos impactos econômicos, para uma possível perda de competitividade em relação ao Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (SP), que possui a maior movimentação de cargas do país.

Qual é o cenário atual da movimentação de carga em Viracopos?

Viracopos concentra, junto com o Aeroporto de Guarulhos, 60% do recebimento de carga aérea do Brasil. Segundo a concessionária, o complexo tem a maior movimentação de importação do país, com 1/3 de todo o volume que chega pelo modal.

Em 2021, o Terminal de Cargas (Teca) atingiu a maior movimentação da história da concessão – aplicada de forma integral desde 2013 -, impulsionada pelo recebimento de milhares de cargas de imunizantes contra a Covid-19.

No entanto, depois do recorde, o aeroporto enfrentou duas quedas no fluxo de mercadorias. A concessionária reforça que a diminuição é relativa, ou seja, é uma redução em comparação a uma alta expressiva, já que, se considerar todo o intervalo da concessão, a movimentação de 2023 foi a terceira maior da história – superando, inclusive, o ano pré-pandemia.

Em relação aos últimos três anos fechados, os piores meses de movimentação de cargas foram todos em 2023: maio, setembro e agosto.

Em dezembro, entretanto, o terminal atingiu o maior volume do ano passado, o que, segundo a concessionária, já indica um cenário de recuperação para 2024. 

Por que caiu?

De acordo com a Aeroportos Brasil, a demanda global de carga aérea diminuiu, o que afetou Viracopos. Em mercados como Europa, Asia e América do Norte, as quedas chegaram a 20,4%, 19% e 8,7%, respectivamente, segundo a concessionária. Entre os motivos, estão:

– Diminuição do comércio mundial de mercadorias;

– Guerra da Ucrânia;

– Aumento da inflação global

“A queda de volume traz reflexos na arrecadação do aeroporto, mas dentro da faixa projetada nos cenários do plano de negócio da concessionária para 2023. A concessionária continua trabalhando na criação de novos serviços logísticos e na atração de novos negócios para o Terminal de Carga, reforçando o papel de Viracopos como uma das mais relevantes infraestruturas brasileiras de logística de comércio exterior”, diz a concessionária.

O reflexo no mercado europeu acontece porque os Viracopos recebe voos cargueiros de todos os principais centros comerciais do mundo, como Europa, Ásia e América do Norte.

Economista indica outras razões

O economista da PUC-Campinas Roberto Brito de Carvalho concorda com a concessionária em relação à diminuição no fluxo de cargas, por conta do encarecimento da modalidade de transporte e da diminuição do ritmo da atividade econômia global.

“Como a gente sabe, o modal de transporte aéreo normalmente está atrelado a cargas de maior valor e de urgência, então é um transporte de carga um pouco mais sofisticado, e isso poderia justificar, em parte, a queda que aconteceu no recebimento de cargas do aeroporto, ou melhor, no transporte de cargas, porque também tem a emissão, do Aeroporto de Viracopos”, explicou.

Por outro lado, segundo ele, o Painel do Transporte Aeroviário indica uma queda nacional menor que a de Viracopos, que, de 2022 para 2023, foi de 16%, o que pode indicar uma eventual perda de competitividade e espaço no estado de São Paulo ou “dano de imagem” tendo em vista alguns problemas recentes que o aeroporto enfrentou.

“Seja em função da segurança, com assaltos cinematográficos, seja em função da ineficiência operacional, além, é claro, dos problemas da combinação do transporte modal aéreo com o modal de transporte rodoviário e os problemas de segurança do transporte de carga na nossa região. É algo que nos chama a atenção, porque enquanto a gente está diminuindo, o Aeroporto de Guarulhos tem aumentado a sua participação, o seu volume, mesmo que seja uma cifra muito pequena”, completou.

Por fim, o especialista alerta para uma reflexão do quanto a segurança no transporte rodoviário, com diversos roubos de cargas na região de Campinas, tem afetado a escolha pelo aeroporto de Campinas.

Respostas

A concessionária informou que “rechaça” a afirmação de “crise de imagem”, já que os três últimos anos foram os melhores da história da concessão em carga movimentada. Segundo a Aeroportos Brasil, não faz sentido a “crise de imagem” ter afetado o aeroporto somente em 2023, justamente o ano em que a gestora do complexo conseguiu encaminhar sua permanência à frente da concessão.

“A concessionária também rechaça a questão sobre ‘assalto’ ter prejudicado a imagem do aeroporto, já que os dois principais concorrentes de Viracopos, em termos de carga, também foram alvos de assaltos com repercussão nacional, na mesma época”, completou.

Fonte: G1

Compartilhe: