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Empresários criticam restrição à carga e descarga no Centro.

Ao restringir a circulação de veículos no coração da cidade, a prefeitura começa a renovar antigos hábitos no Centro. Mas o processo está longe de ser pacífico. Empresários andam na bronca depois que o prefeito Eduardo Paes baixou, no último dia 10, um decreto restringindo ainda mais o horário de carga e descarga na região. Agora, caminhões que abastecem o varejo deixaram de ter acesso ao Centro das 6h às 21h. Anteriormente, a permissão de circulação na área era vedada em dois intervalos: das 6h às 10h e das 17h às 20h. As operações, portanto, podiam ser feitas no período da tarde. Não podem mais.
O presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transportes da Associação Comercial do Rio, Eduardo Rebuzzi, chega a fazer um prognóstico catastrófico: a falta de diversos produtos nas prateleiras de lojas e supermercados.
— Não tenha dúvida de que, se essa lei funcionar à risca, a cidade terá problemas de abastecimento. E quem vai sofrer é o consumidor. Caminhão é um problema? Tudo bem, a cidade fica sem produto — diz. — Qualquer restrição dificulta e encarece a operação. Além disso, falta clareza nas regras.
Se por um lado o decreto limitou a ação dos fornecedores de comidas, bebidas, calçados e vestimentas, por outro a prefeitura negociou o acréscimo de 107 no número de vagas específicas para carga e descarga na região. Ao todo, são agora 277 os pontos autorizados. Muito pouco, na avaliação da Associação Comercial, que estima serem necessárias ao menos 400 vagas. Sócio de uma transportadora de mercadorias, o empresário Ricardo Lobo vislumbra problemas com a aplicação do decreto, por conta da resistência do comércio varejista:
— Estimo um custo adicional de 15% com as novas restrições. Uma parte do comércio não é favorável à medida, por falta de segurança. A Saara, por exemplo, não tem condições de abrir de madrugada. Vamos acatar o decreto, queremos somar, mas encontraremos muitas barreiras do comércio. Faltou uma discussão mais aprofundada.
Prefeitura: mudanças necessárias
Já cumprindo as novas regras, o motorista de caminhão Ademir da Silva, de 56 anos, reclama do período estipulado. Ele abastece todos os dias o caminhão de frutas e verduras na Ceasa de Coelho Neto, na Zona Norte, e segue para o Centro, onde entrega as mercadorias até as 6h. De acordo com Ademir, muitos estabelecimentos não pagam a funcionários para trabalhar nesse horário, o que causa transtornos:
— Nem sempre encontramos os estabelecimentos abertos. Quando isso acontece, temos que esperar. Mas não podemos passar nem um minuto do prazo estabelecido, que a Guarda Municipal começa a multar.
Aos insatisfeitos, o secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osorio, avisa que as mudanças são definitivas e lembra que grandes metrópoles do mundo, como Paris e Londres, restringem o entra e sai de caminhões.
— Queremos incentivar as operações noturnas, e os grandes operadores têm de entender que isso é inexorável. Entendemos as dificuldades dos pequenos estabelecimentos, mas as mudanças são necessárias.
Osorio acrescenta que a questão foi amplamente discutida com o setor:
— Fui pessoalmente à Associação Comercial quatro vezes. Houve consenso.
A prefeitura iniciou ontem uma campanha para que o motorista que usa normalmente a Perimetral busque novos caminhos para chegar à Tijuca e à Zona Sul. Os motoristas que estavam na Avenida Brasil eram orientados a seguir por Benfica e São Cristóvão. Dezenas de operadores orientaram a população. Pela manhã, não foram registradas retenções.
Fonte: O Globo.

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