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Cautela ainda deve rondar política da Petrobras apesar de empresa negar novidades

Apesar de alegar que não há nada de novo nas notícias veiculadas na sexta-feira, a política de preços da Petrobras deve seguir rodeada de cautela no mercado.

Um dos gestores ouvidos pelo Valor afirma que a mudança no período de apuração da política de preços — ocorrida no primeiro semestre de 2020 — veio no pior momento da pandemia, quando os contratos futuros de petróleo chegaram a operar no negativo. Logo, fazia sentido a mudança na época e, assim, a posição da empresa não seria tão negativa.

Ainda assim, fica o questionamento sobre a falta de transparência em torno da mudança e por qual motivo a companhia segue com um período de análise extenso.

Em comunicado, a estatal disse que, no primeiro semestre de 2020, dada a alta significativa da volatilidade de preços de combustíveis, decidiu estender de trimestral para anual o período limite de apuração da aplicação da política de preços de combustíveis. E acrescentou que a prática permanece em vigor desde então, “mas pode ser alterada observando o melhor interesse dos seus acionistas”. Além disso, afirmou que também adota métricas de monitoramento de preços de curto prazo.

Para outro profissional, a manutenção dessa política até o momento acaba trazendo receio sobre quais as métricas usadas para paridade de preços com os valores internacionais. “O ano passado foi o ano da pandemia, então medidas ‘não usuais’ foram aceitas, vide déficit fiscal dos países. Mas em 2021 nós voltamos à normalidade, as coisas têm que voltar aos parâmetros anteriores”, afirma o profissional.

Ele questiona ainda o fato de os preços poderem ficar abaixo da paridade de importação, o que abre margem para discussão de um represamento dos preços. No comunicado, a Petrobras afirmou “que, em dado trimestre, os preços domésticos podem eventualmente se situar abaixo do preço de paridade de importação desde que essa diferença seja mais do que compensada nos trimestres seguintes.

Além disso, há receio sobre a venda de refinarias. A dúvida é: como atrair investidores para comprar ativos de refino doméstico se a empresa afirma que ela pode ficar longos períodos com paridade negativa?.
A política de preços da Petrobras é um assunto cada vez mais delicado dada a preocupação de que o governo possa interferir na atuação da companhia em meio a ameaças de greves dos caminhoneiros. Hoje, o que gerou a tensão foram comentários de que a estatal decidiu expandir em dezembro o período para calcular a paridade de preços de combustíveis para absorver volatilidade no mercado, o que a companhia contestou. Os papéis da Petrobras, por outro lado, fecharam em alta bastante reduzida na sexta-feira, de 1,40% a ON e 0,69% a PN.
A Petrobras reforçou, no comunicado, “sua independência na determinação dos preços de combustíveis, seguindo o alinhamento aos mercados internacionais”.

 

Fonte: Portos e Navios

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